Cartas
| |
Autor: Destaque In
Uberlândia, 02 de setembro de 2004
Com a "Destaque In" nas mãos, Julho/Agosto, constato que tenho diversos mergulhos a fazer pelos caminhos da memória, mas percebo , com muita emoção, que, seja qual for a direção que eu tome, bato de frente com a saudade. Os "184 Anos de História de Sacramento", retratados nesta edição, é um apelo às saudades - que são tantas e que doem tanto! Não consigo identificar se a dor maior vem do ontem, do qual eu participei intensamente ou do hoje, do qual eu já não participo mais.
As lembranças das ruas empoeiradas e barrelentas da minha infância, os pés descalços , as casas velhas da cidade, a estreita ponte do Rosário, os postes de ferro sustentando as fracas luzes que iluminavam nossas ilusões foram direcionando o caminho a seguir. Em cada página, novas lembranças... a marcenaria do seu Américo , bem ao lado da casa da minha tia e dos meus avós, cujas batidas dos martelos e o barulho das serras, quando aconteciam pela calada da noite, eram o anúncio certo de que alguém tinha morrido. Então, com as batidas aceleradas do coração, os olhos bem fechados, era a hora de cobrir a cabeça com os lençóis pelo medo do defunto desconhecido, cujo caixão começava a ser fabricado.
Depois, um passeio pelo jardim, " o ponto chique" da cidade; a estréia do vestido novo, o vai-e-vem das moças e dos rapazes, a ingênua troca de olhares que selaram grandes romances e grandes paixões!
Então, nesse final de Agosto, quando o tempo começa a anunciar os primeiros sinais das chuvas, que abrem as portas para uma nova estação, bateu forte uma outra saudade: a de ouvir os respingos da chuva, caindo no telhado da velha casa onde morei. Era o momento em que eu, de mansinho, chegava bem perto da minha mãe e dizia: fique deitada mais um pouquinho pois o dia amanheceu chuvoso.
A "Destaque In" é um marco na nossa cidade .Um trabalho elogiável que, há dez anos, certamente, a duras penas, se mantém de pé.
Parabéns, Carlos Alberto, Alessandro e demais integrantes dessa revista, pela defesa de um ideal, pela persistência nesse árduo trabalho e por assegurar às novas gerações a certeza de que Sacramento tem história pra contar.
Mariú Cerchi Borges
Com a "Destaque In" nas mãos, Julho/Agosto, constato que tenho diversos mergulhos a fazer pelos caminhos da memória, mas percebo , com muita emoção, que, seja qual for a direção que eu tome, bato de frente com a saudade. Os "184 Anos de História de Sacramento", retratados nesta edição, é um apelo às saudades - que são tantas e que doem tanto! Não consigo identificar se a dor maior vem do ontem, do qual eu participei intensamente ou do hoje, do qual eu já não participo mais.
As lembranças das ruas empoeiradas e barrelentas da minha infância, os pés descalços , as casas velhas da cidade, a estreita ponte do Rosário, os postes de ferro sustentando as fracas luzes que iluminavam nossas ilusões foram direcionando o caminho a seguir. Em cada página, novas lembranças... a marcenaria do seu Américo , bem ao lado da casa da minha tia e dos meus avós, cujas batidas dos martelos e o barulho das serras, quando aconteciam pela calada da noite, eram o anúncio certo de que alguém tinha morrido. Então, com as batidas aceleradas do coração, os olhos bem fechados, era a hora de cobrir a cabeça com os lençóis pelo medo do defunto desconhecido, cujo caixão começava a ser fabricado.
Depois, um passeio pelo jardim, " o ponto chique" da cidade; a estréia do vestido novo, o vai-e-vem das moças e dos rapazes, a ingênua troca de olhares que selaram grandes romances e grandes paixões!
Então, nesse final de Agosto, quando o tempo começa a anunciar os primeiros sinais das chuvas, que abrem as portas para uma nova estação, bateu forte uma outra saudade: a de ouvir os respingos da chuva, caindo no telhado da velha casa onde morei. Era o momento em que eu, de mansinho, chegava bem perto da minha mãe e dizia: fique deitada mais um pouquinho pois o dia amanheceu chuvoso.
A "Destaque In" é um marco na nossa cidade .Um trabalho elogiável que, há dez anos, certamente, a duras penas, se mantém de pé.
Parabéns, Carlos Alberto, Alessandro e demais integrantes dessa revista, pela defesa de um ideal, pela persistência nesse árduo trabalho e por assegurar às novas gerações a certeza de que Sacramento tem história pra contar.
Mariú Cerchi Borges
