Tucunaré: Herói ou Vilão?
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Autor: Raul de Melo Filho
São oriundos das bacias Amazônicas, e Araguaia/Tocantins, mas atualmente são encontrados em todo o Brasil, e até no exterior. Hoje até já é possível pescar tucunarés na Flórida (EUA). Entre as variedades mais populares destacamos: Açu, Paca, Borboleta, Amarelo, Azul, Pitanga e Fogo. Seu recorde mundial é de 12.231 Kg, capturado em 04 de dezembro de 1994, pelo americano Doc. Lawson na bacia do Rio Negro.
São amados e admirados por pescadores de todo o mundo os americanos o chamam de Peacok Bass. São conhecidos mundialmente como Game Fish, (Europa). Os japoneses o chamam de Show Bass, e atravessam o mundo inteiro só para o pescarem, também é muito admirado por nossos hermanos do Mercosul.
A pesca do tucunaré é extremamente esportiva, tornando-a uma das mais procuradas. O tucunaré tem como principal característica muita agressividade e velocidade com ataques espantosos e espalhafatosos às iscas artificiais. Entre suas principais aptidões destacamos:
Viver em ambientes lênticos (lagoas, lagos e represas formadas por hidrelétricas).
Capacidade reprodutiva muito grande, com reprodução parcial (várias desovas por ano), com centenas de filhotes por desova.
Cuidar e proteger da prole por várias semanas. Conversão alimentar muito alta, com grande ganho de peso.
Grande valor comercial de sua nobre carne, pois possui poucos espinhos e seu filé é muito apreciado.
Infelizmente com todas estas vantagens e aptidões o tucunaré tem sido alvo de pessoas desinformadas que o acusam de praga a ser combatida.
Cada vez mais constroem-se usinas hidrelétricas com a autorização do governo e com o aval dos falsos ambientalistas.
Numa época de demanda tão grande, por energia elétrica é até justificada a construção de grandes barragens, mas infelizmente o desequilíbrio imposto elas tem conseqüências desastrosas para a ictiofauna, a pesca esportiva e o meio ambiente.
Os peixes de pesca esportiva com hábitos migratórios não encontram as condições ideais para sua sobrevivência e procriação, pois nescessitam de centenas de quilômetros de águas rápidas ou corredeiras para atingir as condições ideais de reprodução, por isso estão desaparecendo.
Seria oportuno que existisse uma regulamentação ambiental direcionada às hidrelétricas, que as obrigasse a construção de passagens migratórias ou escadas de transposição de peixes como existe na barragem de Igarapava que sabemos, funciona de maneira muito tímida.
A introdução de espécies exóticas não deve ser incentivada, mas como o fato já ocorreu, o melhor é tirar proveito social de suas conseqüências, como é o caso das represas do Estreito, Jaguara e Igarapava onde a pesca do tucunaré é importante para o turismo e gera centenas de empregos diretos e indiretos.
Enquanto o conceito de predador for atribuído apenas ao tucunaré, o poder devastador de outros peixes exóticos (trazidos de fora do Brasil) estará mascarado.
As carpas comedeiras de barro, podem até modificar a turgidez das águas. As tilapias, que se multiplicam como ratos e se alimentam da vegetação sub-aquática, destruindo o zôoplâncton.
Os bagres africanos que se deslocam até no seco e dizimam ninhadas de outras espécies nativas.
Os black-bass, terríveis predadores, pois tudo lhes serve de alimento.
Se os tucunarés fossem tão perigosos como se explicaria sua escassez em represas onde já foram tão abundantes, como é o caso de Jaguara e Volta Grande. Sabemos que o símbolo da nossa pesca esportiva não deve ser considerado como catástrofe ecológica e nem como praga a ser combatida. Estamos no século XXI e a humanidade não pode mais conviver com os excessos, em vez de defendermos sua eliminação devemos incentivar o estudo e a pesquisa séria a seu respeito.
O estudo real de sua espécie deveria ser incentivado pelas hidrelétricas, também nas escolas e universidades, com ampla discussão pelos alunos, professores, pesquisadores, e biólogos do nosso querido Brasil.
Qual seu real impacto nos ambientes modificados artificialmente?
Que peixe poderia substituí-lo para alavancar o turismo em nossa região?
Quais peixes sobreviveriam em nossos reservatórios?
Quais peixes dariam sustento aos moradores de nossas barragens?
Quais peixes fariam no seu lugar a seleção natural das outras espécies sem conseqüências desastrosas para o meio ambiente?
Devemos nos sensibilizar e repensar algumas atitudes defendidas por falsos ambientalistas e evitar radicalismos como proibir o pesque e solte do tucunaré.
O ato de pescar e soltar deveria estar na mente e no coração das pessoas, matar peixes para presentear amigos, como se eles e rio fossem de sua propriedade é inadmissível, pois sabemos que para o turismo um tucunaré vivo vale no mínimo dez vezes mais que morto. Pescar e soltar é um ato que deve ser adotado e incentivado pelos verdadeiros ambientalistas e amantes da pesca esportiva. O peixe solto hoje pode ser garantia do seu lazer amanhã.
Diante do que foi exposto o que você pensa de tudo isto? O tucunaré é herói ou vilão?
