Ética e Religião
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Autor: Flávia Bruno
“Conhece a ti mesmo”, esse é o lema de Sócrates, e ao ler percebemos que o homem está inserido na Natureza, mas não está solto, existe uma hierarquia que o leva a viver moralmente e se realizar como homem. O único caminho que o homem precisa realizar é o caminho de volta, para dentro dele mesmo, mas pergunta-se como?
O homem é o único animal capaz de domesticar outro animal e o único a se domesticar, partindo desse princípio, percebemos o amor de Deus para conosco; isso nos leva a crer que Deus nos amou primeiro, e cada um deve amar primeiro, fazer para com o outro aquilo que gostaríamos que fizesse conosco, mas para isso requer educação, aperfeiçoamento e disciplina do homem. As religiões têm servido de referencial para nós e trouxe um grande avanço moral (família, estado e política), Mas nada é perfeito, vem com ela, a alienação e o fanatismo de muitos que ajudaram a obscurecer a mensagem ética profunda da liberdade, do amor e da fraternidade universal.
Infelizmente a religião transformou o amor em pecado carnal, a fraternidade em poder de propriedade, amizades emrelacionamentos vantajosos, o progresso econômico em sucesso pessoal, criando muralhas entre Deus e o homem, monopolizando o poder e até mesmo o Deus universal; transformando a fé divina em categoria, revelação, paternidade divina e pecado, com possibilidades do Perdão.
OS IDEAIS ÉTICOS
Para uns, o ideal ético estava na busca teórica ou na prática do bem, para outros estava no viver de acordo com a natureza, em harmonia cósmica. Já no Cristianismo, os ideais éticos se identificaram com os religiosos. Pelo Renascimento e o iluminismo, ideal ético seria viver de acordo com a própria liberdade pessoal, no social (igualdade, fraternidade e liberdade). No séc.XX, os pensadores da existência insistiram sobre a liberdade como ideal ético.
Ao fazer uma idéia do que venha a ser ideais éticos, nos baseamos nas informações acima citadas; chegamos à conclusão que os ideais éticos são convenientes a cada época, de acordo com a visão da evolução social, econômica e intelectual do homem, nos tempos de hoje. Em pleno séc.XXI, fala-se de uma ética amoral, onde os valores são limitados a uma minoria burguesa, e os meios de comunicação são responsáveis por uma lavagem cerebral, incutindo ideais elaborados e sistematizados, transformando o indivíduo em massa. E na massificação atual criou-se o estereótipo de mulheres, homens e padrões. Tais comportamentos são criados em série e cidadãos são clonados; a liberdade de consciência deixa de existir, a cidadania ao ser praticada, seria um ato ético e, ao invés disso, os homens se tornaram produto do meio, deixaram de pensar, pois comprar pronto implica estar em voga...
A LIBERDADE
“Falar de ética significa liberdade”, mas quando falamos de ética nos lembram normas de responsabilidade. Quando agimos, estamos seguindo uma norma, uma conduta que não nos deixa sair dos trilhos, e para isso devemos obedecer, caso contrário estamos infringindo uma lei; lei essa que foi criada para que o homem tenha direitos e deveres para levar esse mesmo homem a ter liberdade, caso aja com responsabilidade. E para uma certa acomodação da consciência humana, foram surgindo formas que trazem aceitação e conformidade às gerações, tais como: “tudo o que acontece, tinha de acontecer”, “estava escrito”. ”Deus quis que fosse assim”; quando a lei do materialismo-capitalismo rege todas os nossos atos e decide por nós, a ética desaparece e, com isso temos uma liberdade falsificada, um falso poder sobre essa liberdade. Para os idealistas a única liberdade a ser falada é aquela em que o homem está acima e livre do aqui e agora, um espírito elevado que não se identifica com o homem real e concreto. Para Hegel a chamada liberdade só existe para que o indivíduo se sinta livre, saiba ser realmente livre, num estado organizado que garante a liberdade de todos e de cada um . Para Marx, a natureza é “a dominação do homem pelo homem” .Para Kant, “o homem deve ser sempre tratado como um fim, e nunca como um meio”. E, para finalizar, Kiekegaard afirma que “a angústia é o reflexo psicológico da consciência da liberdade”
COMPORTAMENTO MORAL:
O BEM E O MAL
Tomás de Aquino, diz que a consciência moral é a voz interior que nos diz que devemos fazer, em todas as ocasiões, o bem e evitar o mal. Com o renascimento e a Idade Moderna, junto com a imprensa e o re-estudo do mundo antigo, a difusão cultural, houve o enriquecimento de uma nova classe(burguesia) desenvolvendo agora uma preocupação com a autonomia moral do indivíduo. Este indivíduo que age de acordo com tal razão natural.
Kant busca descobrir em cada homem, e neste sentido é antiaristocrata e burguês, uma Natureza livre. Para os gregos isto significava uma certa harmonia passiva com os cosmos. Para o Medieval, significava uma obediência, um agir de forma mais primitiva, mas no fundo Kant acredita que a Natureza é uma Natureza racional, ou seja, a Natureza nos fez livres, mas isso não nos diz o que fazer concretamente. Mas Hegel considerou demasiado abstrata a posição Kantiana, pois seu igualitarismo postulado não levava realmente em conta as tradições, os valores, o modo de ver de cada povo; ignorava as instituições históricas concretas não chegando a uma ética de valor histórico.
Na Segunda metade do séc. passado, a questão do comportamento ético mudou mais uma vez, as atenções se voltaram para a questão do discurso, mas teve outras influências como a crítica ideológica e a crítica da linguagem. Por mais que variem os enfoques filosóficos, algumas noções bastante abstrata e são fortes na ética. Uma delas é a questão da distinção entre o bem e o mal. Agir eticamente é agir de acordo com o bem. E quem não age dessa forma, não vive eticamente. Já no séc.XXI os homens estão mais conscientes de que eles não são meros espectadores, e sim atores, que não estão na platéia, e sim no palco, já diziam alguns pensadores. A questão atual é saber se o homem consegue agir individualmente, isto é, agir moralmente. A Natureza Humana é perfeita, mas uma vez assumindo com consciência e responsabilidade consigo e com os outros que nos rodeiam será impossível não infringir a ética e a moral. O equilíbrio interno é a mola propulsora da harmonia, por isso ao avaliarmos uma dada situação, devemos levar em conta que o direito de um termina quando a do outro começa; nossa cultura ocidental é racional e atribuímos toda essa qualidade ao cérebro, à inteligência, não importa onde reside esse atributo, o importante é saber que eles formam a consciência na qual reside nossa capacidade de julgar e decidir, ter consciência é saber discernir com critérios justos e bons.
A ÉTICA HOJE
A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que não são fáceis de explicar, quando alguém pergunta.
A ética pode ser o estudo das ações ou dos costumes, e pode ser a própria realização de um tipo de comportamento. Nos nossos dias fala-se muito de ética; os historiadores afirmam que quanto mais uma sociedade vive carente de ética, mais se fala dela.
Etimologicamente “ética” alude àquilo que se costuma fazer, aquilo que normalmente se faz. A palavra grega “ethos” significa o costume social, o modo de comportamento de uma determinada sociedade.
As questões da ética nos aparecem a cada dia. Nas artes, o poder de sedução, de encantamento, da música, pode ou deve ser usado para condicionar o comportamento das pessoas. O mandamento evangélico ,- amar os nossos inimigos,_ será valido para a ética? Não seria nada mais do que um comportamento adequado aos costumes vigentes, isto é, enquanto estes costumes tivessem força para coagir moralmente, o que quer dizer, socialmente. Quem não se comporta de acordo com as normas vigentes , ou seja, de maneira discrepante, divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria no erro, pelo menos enquanto a maioria da sociedade ainda não adotasse o comportamento ou o costume diferente. Isso quer dizer que esta ação seria errada apenas enquanto ela não fosse o tipo de um novo comportamento vigente.
Mesmo nos dias de hoje, numa mesma sociedade, notamos nítidas diferenças de costumes entre as classes da mais alta burguesia, a pequena burguesia e o proletariado. Será que não haveria uma ética absoluta? Sabemos que ética no sentido absoluto, não é apenas aquilo que se costuma fazer em uma sociedade boa é : aquilo que é bom em si mesmo, deve ser feito ou evitado a todo custo e em todo o caso, independentemente das vantagens pessoais ou sociais que daí se extraiam: Aquilo que não é negociável, é algo que não se pode discutir nem transigir. O que é digno do ser humano, é pois, o que se opõe ao indigno.
Sócrates foi o fundador da moral, pois, para ele a palavra moral é sinônimo de ética; não se baseava nos costumes do povo e dos ancestrais, mas na convicção pessoal (demônio interior).
Kant buscava uma ética de validade universal, que se apoiava na igualdade fundamental entre os homens.
Neste grande rio se movimentam pensadores do porte de Platão, Aristóteles, Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, Maquiavel e Spinoza, Hegel e Kierkegaard, Marx e Sartre, enfim, quase todos os grandes pensadores que nós, ocidentais, conhecemos, assim como, no meio deles, todos nós, que cada dia enfrentamos problemas teóricos e práticos, éticos ou morais. E que temos de resolvê-los, com ou sem ajuda, mas de preferência com alguma ajuda daqueles que mais persuadiram sobre tais questões.
No mundo contemporâneo, fala-se muito de liberdade de expressão, mas a vida tem regras para ser seguidas, regras essas que são impostas pela mesma liberdade e uma vez infringidas, acabam sofrendo conseqüências irreversíveis, como por exemplo, o indivíduo que se torna alcoolista, ele agride seu organismo e, mais tarde, terá aquelas gravíssimas conseqüências do abuso do álcool. O equilíbrio interno é a mola propulsora da harmonia, por isso ao avaliarmos uma dada situação, devemos saber o caminho a ser seguido, tendo como referencial esses pensadores que muito contribuíram para uma ética consciente e amadurecida.
