Tradicional Calvalgada do dia 1º de Maio
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Autor: Carlos Alberto Cerchi
Para substituir o significado ideológico-religioso do primeiro dia de maio em Sacramento é promovido uma das maiores festas do seu calendário. A queima de fotos, na madrugada, anuncia uma maratona de atividades com maior ônus para os cavalos da região. Pelas principais ruas desfilam, em colorido especial, amazonas e cavaleiros de todas as idades. Durante a maior parte do dia caravanas da zona rural e visitantes transformam Sacramento na atração regional. A bucólica marcha do carro-de-boi e o ruído do escapamento das motos marcam um contraste colorido e festivo da marcha pelas ruas da cidade. O protesto dos trabalhadores e o nascimento de Eurípedes Barsanulfo são discretamente lembrados, porém, ofuscados pela animada festa promovida anualmente por cavaleiros identificados pela vocação agropecuária de Sacramento.
Um Santo Operário:
o começo.
As primeiras cavalgadas foram organizadas pelos irmãos Alemão e Orlando Mariano, entusiastas da montaria esportiva nos rodeios de animais realizados na chácara do Miguel de Oliveira na década de 60. O redentorista Pe. Júlio Negrizollo, vigário da Paróquia entre março de 1975 e dezembro de 1978 foi o mentor da homenagem a São José Operário com cavalgada religiosa e missa solene ao final na porta da Igreja Matriz.
A edição nº 135 do semanário “O Estado do Triângulo” de 8-05-1977 destaca na sua primeira página: “Paróquia promove grande espetáculo”descrevendo a primeira cavalgada do dia primeiro de maio:
300 CAVALEIROS
“Um convite a todas as comunidades católicas do município, o Pe. Vigário Julio Negrizollo, conseguiu reunir em Sacramento, no dia da festa de São José 300 cavaleiros vindos dos mais distantes pontos do município.
Uma passeata pela cidade percorrendo as principais vias e atingindo todos os bairros, às 2:00 horas da tarde, os 300 cavaleiros ao som dos tropéis pelas ruas calçadas, aos estalos dos chicotes, ou ao chamado do berrante boiadeiro, sacudiram a cidade com aquela majestosa passeata, numa demonstração de fé pelo santo protetor”.
Volmir Manzan, lembra que as comunidades rurais eram identificadas com faixas levadas ao desfile “Eu e o Zé do Lico organizávamos os cavaleiros da Tapera. Do Chapadão lembro-me do Paulo Tapira e irmãos, de Almeida Campos os “Ferreiras” sempre animados, da Cachoeira o Baianinho e tantos outros vindos de longe, finaliza.
Em 1978 a Congregação Redentorista substitui o vigário Pe. Julio Negrizollo. Para o seu lugar é designado o Pe José Marques Dias, que assumiria a Paróquia em dezembro de 1978 e nela permaneceria até dezembro de 1981.
A cavalgada se tornara um evento popular, porém na década de 80, talvez por falta de organizadores deixaria de acontecer. Em Janeiro de 1990 chegaria em Sacramento o jovem padre Brás Romeiro Portes e logo se identificaria com os movimentos religiosos e esportivos da cidade, participando ativamente das cavalgadas.
Em 1991 surge a Companhia de Rodeios “Clube do Laço” imprimindo nova dimensão às festividades realizadas no Parque de Exposição Hugo Rodrigues da Cunha e dinamizando as cavalgadas do dia primeiro de maio. Na década de 90 consolidou-se o encontro regional de cavaleiros e amazonas. Para esse dia reservava-se a melhor montaria com sela vistosa, animais selecionados e indumentária a caráter com chapéu, botas e cinto criteriosamente escolhidos. Em maio de 1993 realiza-se o primeiro concurso de beleza para escolher a rainha da Festa do Peão. Um desfile formado por 200 cavaleiros e aberto com o carro alegórico das quatro candidatas à Rainha marcou as festividades do dia 1º de maio, promovidas pelo Clube do Laço. A estudante Rosiléia da Costa Borges, foi eleita Rainha da Festa do Peão. As também estudantes Cristiane Borges, Andrezza Prado e Eliza Myrthes C. Bizinoto foram eleitas princesas. Sacramento, levando em conta o seu perfil conservador fazia uma bonita festa, porém os professores estavam em greve. O PT também estava na rua exercendo a sua vocação panfletária como mostra o detalhe do folheto escrito na época pelo autor deste artigo. O país vivia uma efervescência política positiva com a posse do vice-presidente de Collor, Itamar Franco em 29 de dezembro de 1992, Fernando Collor de Melo teve seu impedimento da República votado no Congresso Nacional em 29 de setembro de 1992. Na tentativa de evitar sua cassação, Collor renunciou, dando lugar a seu vice, Itamar Franco. Mesmo assim teve seus direitos políticos suspensos por oito anos. Collor passou para a história como representante de uma das mais nefastas experiências políticas vividas pelo país nos últimos anos do século XX.
ERA DO "CLUBE DO LAÇO" MARCA O SUCESSO DA CAVALGADA DE 1º DE MAIO
Por iniciativa de Reginaldo Manzan de Alcântara (Zezé) Carlos Miranon B. Oliveira (Branco) Heliton Devós Ferreira (Noti) e Regis D. Bizinoto (Rejao) é registrado oficialmente em setembro de 1992 o Clube do Laço, tendo Marcenal Davi Bizinoto como primeiro presidente e outros amantes da montaria como diretores. Todos jovens e animados com participação aumentando a cada ano, por crianças e adultos de ambos os sexos. Inovações são incorporadas ao cortejo acrescido de carros de bois, tratores, colhedeiras, bicicletas e motos.
O auto-falante do Pe. Júlio Negrizollo, transportado a seu lado por um cavaleiro no final dos anos setenta foi substituído por um carro de som. Nos últimos desfiles um moderno e espaçoso “trio elétrico” leva uma central de som com locutor de rodeio cercado de rainha e princesas da festa. O roteiro pré-estabelecido em cartazes contempla todos os bairros da cidade com o final apoteótico no Parque de Exposições Hugo Rodrigues da Cunha com entrega de troféus, homenagem aos veteranos, pega do garrote e rodeio.
O 1º de maio tornou-se uma festa popular conhecida regionalmente pela organização primorosa, inclusive reconhecida pelo Poder Público, através de Lei Municipal proposta pelo vereador Marcos Pires que tornou institucionalizada a cavalgada do 1º de maio.
A voz vibrante do locutor de rodeio “Sekim”, o carro de Boi do “João do Josa” os cavalos de raça do Haras Zandonaide, os cavalos de lida diária que tanto serviço prestam aos sitiantes e fazendeiros, malgrado a jornada cansativa sob os estalos da piola e a insensibilidade de alguns peões, constituem o brilho da cavalgada que aos poucos se torna uma tradição em Sacramento.
O Clube do Laço, responsável por grande parte das inovações introduzidas no desfile, hoje desfalcada pelo trágico acidente que ceifou a vida de seu presidente Marcenal Bizinoto e outros companheiros, segue na organização do evento. Reginaldo Manzan (Zezé) e Carlos M. Oliveira (Branco) seguem promovendo o evento com o apoio da prefeitura e comércio local que nunca deixoaram de apoiar esta iniciativa de natureza esportiva e cultural.
Para este 1º de maio espera-se a participação de mais de 800 cavaleiros com envolvimento de toda comunidade urbana e rural.
No limiar dos 30 anos marcados pelo simbolismo da fé em um dos santos mais populares da igreja, São José Operário e pela devoção em Maria Santíssima representada pela imagem de N. Senhora Aparecida, a cavalgada de 1º de maio reafirma a sua força como manifestação popular.
Fé e Tradição
A julgar pelo comparecimento de jovens e crianças na cavalgada do dia 1º de maio deste ano, podemos afirmar que a tradição permanecerá. A presença das mulheres eleitas no concurso que antecedeu o evento reforçam o pensamento da continuidade e êxito da festa. A graça e a elegância de Patrícia Santana (rainha) Nayara Oliveira (Miss Simpatia); Naiara Palhares (princesa) e Flávia Melo (princesa) contribuíram para o sucesso da promoção.
Na porta da Igreja Matriz, grande número de pessoas ouviram do vigário Pe. Levi Fidelis Marques palavras de incentivo à fé cristã invocando o patrono do dia, São José Operário, símbolo da dedicação e do trabalho. Logo após a pregação do pároco, inspirada na sagrada família: Jesus, Maria, José, ao som das músicas executadas pela banda Lira do Borá, foi aberto o desfile em grande estilo, com caravanas de todo o município. Sekin (Idalino Lopes Magalhães) locutor vibrante de muitas cavalgadas agradeceu os colaboradores como a Prefeitura, parceira e interessada em promover a cidade, Floricultura Cristina Flores a pessoa de Dari, que carinhosamente enfeita o andor de São José no veículo de Pedro Marques, devoto e incentivador da festa. Elaine Alves Ferreira companheira na organização sempre. Celso Almeida (Barão) e o Clube do Laço nas pessoas de Reginaldo Manzan Alcântara (Zezé) e Carlos Miranon Oliveira (Branco) que mais uma vez foram os responsáveis diretos pela organização e êxito da cavalgada do dia 1º de maio. Branco e Zezé são exemplos de competência em matéria de festa popular na região.
