Retrato
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Autor: Carlos Donizete Bertolucci
A meu primo, João Carlos Bertolucci
Porém,
De mim virão os ancestrais...
Purga o destino
Ao viés da história
E contabiliza
Os rios
Que escorreram a nódoa
Respingada
Da suástica do princípio
Que era o verbo.
Agora,
Em mim,
Cravejam fragmentos
De atavio de contas
E eu jurei
Sem o signo das fontes.
Estava em mim,
Do pai,
Do avô
E de seu tataravô,
Que absorveu do bisavô,
O rubi admoestado em indigestão
Do meu café trivial.
Degustação áspera
De ocre,
Dos rios que trouxeram as pedras
Que alicerçaram
Tetos
E mais tetos,
E formaram suas sepulturas
Trazendo o cortejo
Com suas coroas,
Demarcando,
Os seus terrenos futuros...
Outros
Que se assemelhavam
Serraram a madeira
Do seu martírio
Com o vinho triste das suas metas,
Arriscando
O fermento do trigo
Nas covas amealhadas.
Os pontaletes das Aroeiras
Agulharam o chão tépido,
Ao aguilhão das ferramentas
E fizeram o barro recalcitrante
Das colônias,
De adobes indeterminados
Pelo inúmero das etapas.
Suas portas,
Perdidas nos corredores,
Transpuseram alianças
De imigrantes a outros
Que se sucediam
Nas pisaduras de suas calejadas mãos,
Prontas para desatarem
O fio extenuante
Da teia dos novelos
De cada madrugada.
A bandeira,
Que trespassou
De mão em mão,
Estacou a meio pau
Quando a poesia envolvera
Geração por geração,
Me acometeu
E eu não pude mais seguir,
Porque era infeliz
Prosseguir,
Desoriginar a história!
Os sulcos da terra
Já estavam infecundos
E a fécula, partilhada
Entre as colmeias,
Escorreu em mel
amargo
para o vale obtuso.
E a todos, que estávamos
À espera da chuva,
Veio o vento com seus jazigos
E, com o crucifixo
De conchas impiedosas,
Talvez o abrigo
Abandonado
Onde o sentimento
De dores e devoção
Já não poderão
Levar-me
Aos seus abismos
De torres imóveis,
De silenciar de sinos...

