Ao Leitor




No dia 13 de maio de 2005 inaugurou-se em São Paulo a biblioteca Carolina Maria de Jesus no mesmo prédio que abriga o Museu Afro Brasil situado no Parque do Ibirapuera daquela metrópole. A alegria dos familiares de Carolina e do Curador do museu era o retrato da importância da comemoração dos 50 anos do livro “Quarto de Despejo” que descreve o dia-a-dia da escritora na favela do Canindé e tem o início do relato em 15 de julho de 1955. O livro seria publicado em 1960 com a decidida ajuda do jornalista Audálio Dantas e se tornaria um marco na chamada literatura dos oprimidos. “Outros livros, Casa de Alvenaria e Diário de Bitita podem ser considerados apenas o esforço da escritora para permanecer como intelectual em uma sociedade que teimava em ver nela tão somente uma negra deslocada, excêntrica e pretensiosa. Carolina se tornou com seu ruidoso sucesso editorial, um enigma e portanto, uma interrogação para a sociedade e a vida cultural brasileira.
    
Por coincidência, a divulgação dos primeiros trechos do diário se dão em 1958, ano 70 da abolição da escravidão no Brasil e o livro acaba fazendo contraponto às comemorações oficiais ou não-oficiais na data em todo País.
    
“Quarto de Despejo”é, pois, um diário que sai da vocação literária de Carolina e, por decorrência, da miserabilidade da escritora um libelo contra a fome e tudo que daí se origina.
    
Estivemos na inauguração do espaço dedicado à Carolina no Museu Afro Brasil, e na biblioteca que leva o seu nome. Para confirmar a importância de Carolina na literatura brasileira publicamos o primoroso artigo de Oswaldo de Camargo por autorização do diretor curador do Museu, Emanoel Araújo que ocupou a Secretaria de Cultura de São Paulo por ocasião da publicação do “Jornal das Exposições”, revista que traz o artigo “A Glória de Carolina Maria de Jesus”. Dessa forma, em Sacramento, divulgamos a repercussão do fenômeno editorial e literário do livro “Quarto de Despejo”. Outras matérias são de real interesse e fazem deste número uma publicação histórica.
    
Aproveitamos para justificar a demora desta edição pela dificuldade permanente de obter patrocínio para publicações desta natureza.