Jaú, O Gigante do Rio Grande




JaúOs jaús são peixes da família Pimelodidade, que fazem parte da sub-família Surubimane, e que pertencem ao gênero Paulicea Lhering, denominados cientificamente Paulicea Luetkeni (Steindachner, 1875).
    
O jaú é um peixe de couro de grande porte, podendo alcançar 1,5 metros  de comprimento, e passar dos 100 kg de peso. Sua carne é de excelente qualidade, e muito apreciada no centro sul do país. É um predador no topo da cadeia alimentar do Rio Grande. Possui hábito alimentar piscivoro, isto é, alimenta-se principalmente de outros peixes, mas pode se alimentar de quase tudo que existe no rio. O jaú é considerado um dos maiores bagres da Bacia do Prata. É muito admirado por pescadores do mundo inteiro. Por sua agressividade e força titânica, só pode ser pescado com equipamento pesado e pode levar qualquer pescador a exaustão completa. Sua resistência vai muito além do que pode suportar um homem normal e acidentes no seu manuseio são comuns.
    
O jaú habita os poços fundos e as cachoeiras dos rios caudalosos e com grandes corredeiras. Na reprodução possui grandes necessidades migratórias quando prepara seus órgãos sexuais para a desova, onde abandona seus ovos, e não cuida dos filhotes.
    
No seu excelente livro “Memória Fotográfica de Sacramento”, o escritor e professor Carlos Alberto Cerchi, prova com fotos que num passado recente (1955), jaús de aproximadamente 100 kg eram capturados com freqüência no Rio Grande. Infelizmente isto é coisa do passado, e seu recorde mundial de captura homologado é de apenas 44 kg, fisgado no dia 28 de novembro de 2004, no rio Teles Pires, Mato Grosso, Brasil, pelo notável pescador brasileiro Johnny Hoffman. No seu livro o autor propositadamente nos convida para uma reflexão mais ampla. Os jaús são peixes de origem pré-histórica, que evoluíram de seus ancestrais primitivos até se tornarem os peixes extraordinários que são hoje, e isto está comprovado nos sítios arqueológicos. Lamentavelmente o homem, com o barramento dos rios, e a construção das represas, em apenas 50 anos, destruiu o que a natureza gastou milhares de anos para construir e aprimorar. Com isto o ser humano que não consegue dominar seu desejo incontrolável e massacrante de destruição e ganância, aniquilou seu habitat e inviabilizou o ciclo reprodutivo da espécie, assim o jaú se tornou um peixe vulnerável da bacia do Prata e está na fase “terminal”de extinção. Felizmente existe um fio de esperança. Recentemente sua reprodução foi dominada pelos biólogos e sua criação em cativeiro está nos estágios preliminares, porém este fio de esperança “esbarra" na falta de escada de transposição das barragens. Pela falta de sensibilidade, pelo desinteresse e até mesmo pela repulsa que as autoridades dedicam a este assunto, no futuro os grandes jaús só poderão fazer parte de nossas lembranças, e de velhas fotos caídas no esquecimento.
    
A I.G.F.A (International Game Fish Association), é a organização que cuida dos recordes mundiais de captura de peixes.
    
São estas suas palavras “Regras Internacionais de Pescaria”.
    
As regras abaixo foram formuladas pela IGFA com o objetivo de promover a prática da pescaria esportiva dentro dos padrões éticos, estabelecer regras uniformes para manutenção de quadros de recordes mundiais de espécies e de fornecer regras básicas de pescaria para uso em torneios, e em quaisquer outras atividades de pescaria em grupo.
    
A palavra pescaria é definida como a captura ou tentativa de captura de peixe com o uso de caniço, molinete, carretilha, linha e anzol, de acordo com as regras internacionais abaixo descritas.
    
“Exigências para a pesagem de peixes que sejam recordes: O peixe deve ser pesado por um juiz de pesagem oficial (caso haja um disponível), ou por um representante da IGFA, ou por uma pessoa da localidade de boa reputação, que esteja familiarizada com a balança. Testemunhas desinteressadas na pesagem devem ser usadas sempre que possível. O peso de qualquer gancho, plataforma ou corda (caso um seja usado para permitir a pesagem do peixe) deve ser aferido e reduzido de seu peso total. No momento da pesagem o equipamento efetivamente usado pelo pescador na captura do peixe deve ser exibido ao juiz de pesagem, e as testemunhas de pesagem.
    
Pesos estimados não serão aceitos. Os peixes pesados somente no mar, e nos rios não serão aceitos. Qualquer peso que fique entre duas graduações da balança deve ser arredondado para o menor dos dois. Todos os peixes que sejam recordes devem ser pesados em balanças que hajam sido aferidas e que tenha seus certificados de aferição fornecidos por entidades governamentais ou outras organizações qualificadas e credenciadas. Todas as balanças devem regularmente ser aferidas, e sua aferição certificada de acordo com as regras governamentais aplicáveis, pelo menos uma vez por ano. Se no momento da pesagem do peixe, a balança não tiver sido adequadamente aferida durante o ano anterior, ela deve ser aferida tão logo possível, e um relatório declarando os resultados da inspeção antes de qualquer ajusta da balança deve ser enviado ao IGFA.
    
Identificação da espécie: fotografias devem ser apresentadas para possibilitar uma identificação positiva da espécie; pedidos de recordes sem fotografias não serão aceitos, se houver qualquer margem de dúvida a respeito do peixe, não podendo ser bem identificado através de fotografia ou de outro qualquer material submetido, o peixe deverá ser examinado por um cientista qualificado ou preservado, ou congelado, em condições até que uma autoridade qualificada verifique a espécie ou até que a IGFA  notifique que não há mais motivo para conservá-lo. A assinatura e o título (qualificação) do cientista deverá constar ao documento enviado à IGFA". Estas são algumas das muitas exigências para o registro de recorde junto a IGFA.
    
É elogiável a lisura, o critério e o profissionalismo com que a IGFA cuida dos recordes mundiais de captura. Entretanto quando com seu “ceticismo e conservadorismo exagerados”obriga os pescadores a sacrificarem peixes recordistas mundiais, a IGFA mostra toda sua empáfia, e o desrespeito que dedica às causas ambientais. Qual é o pescador que não quer quebrar um recorde mundial, virar referência da pesca esportiva no mundo inteiro, e se tornar uma “celebridade”? Pertencer ao quadro de recordistas da IGFA é sem dúvida o sonho de qualquer pescador que se valorize.
    
Porém a IGFA com seus executivos e diretores ao dizer estimular as pessoas a praticarem a pesca esportiva pelo mundo dentro dos padrões éticos, isto mais parece gozação, e soa como uma grande piada ou como uma comédia de mau gosto. Ao coagir e forçar os pescadores a sacrificarem espécimes recordistas mundiais que estão em fase de extinção, e ainda por cima fazê-los conservarem os peixes por tempo indeterminado a primeira impressão que se tem, é de uma atitude de grande desinteresse e desprezo pela natureza.
    
Mas na verdade isso não passa de mais um crime ambiental brutal, com requintes de crueldade ou apenas uma execução sumária para satisfazer o nosso orgulho, e a nossa vaidade de pescadores.