Piau Três Pintas - o pequeno astro e o lixo




piau Três Pintas
Os Piaus Três pintas são peixes da família “Anastomidae” que pertencem ao gênero “Leporinus Spix”, e são denominados cientificamente como “Leporinus Friderici” (Bloch, 1829). São denominados Piaus Três Pintas, por possuírem três manchas negras circulares sobre a linha longitudinal lateral (sensitiva), do corpo de cor prateada clara.

Os Piaus Três Pintas são peixes de pequeno porte podendo raramente alcançar cerca de 30 cm, e pesar em torno de 2 Kg. São peixes com escamas, e possuem hábito alimentar onívoro, isto é, alimentam-se principalmente de plantas sub-aquáticas, insetos, larvas, soja e milho das cevas tratadeiras. Seu recorde mundial de captura homologado é de 2 Kg, fisgado no Rio Coronel Vanick, Brasil no dia 13 de setembro de 2000 pelo brilhante pescador brasileiro Kadu Magalhães, detentor de vários recordes mundiais. Entre suas principais vocações destacamos:
Apesar de ser um peixe de piracema pode viver e se reproduzir nas represas do Rio Grande, pois por estratégia e evolução da espécie adaptou-se a pequenas necessidades migratórias, e pode desovar nos riachos e córregos que deságuam nas represas do Rio Grande.
    
Tem capacidade reprodutiva alta, com grande proliferação, posto que abandona seus ovos e não cuida dos filhotes. É o carro-chefe do turismo da pesca esportiva da represa de Igarapava, sua pesca gera renda e lucro para rancheiros e ribeirinhos que alugam barcos, ranchos, guias de pesca e vendem iscas para os turistas pescadores. O Piau é um peixe lendário, quando é pescado com equipamento leve e compatível com seu peso, torna-se um astro da pesca esportiva, puxa linha com muita força mostrando toda sua esportividade, com isto ganhou reconhecimento internacional, o que tornou sua pesca uma das mais procuradas.
    
Apesar de muitos “espinhos” sua carne é muito apreciada por ter sabor exótico. Nas represas do Rio Grande por influência do homem tem sido submetido a uma dieta de soja e milho das cevas tratadeiras, o que contribuiu para que sua carne ficasse deliciosa com colesterol zero, e riquíssima em Ômega 3, fato comprovado pelos pesquisadores.
    
Por se alimentar de larvas de insetos é um dos peixes responsáveis por controlar e diminuir a população de “mosquitos”, inclusive os transmissores de doenças.     Apesar de suas vantagens os Paius têm sido trucidados e esmagados pela ganância e pelo poder devastador dos “seres de superfície”. Com a falta de escadas de transposição a espécie se “acostumou”. Apesar da pesca predatória ser maior que a capacidade de fiscalização efetiva a matança pode ser revertida pelos peixamentos efetuados pela estação de piscicultura da Cemig. Mas infelizmente os Piaus não suportam a poluição crescente das represas do Rio Grande, ocorrida principalmente pela destruição da mata ciliar, responsável por “segurar” os agrotóxicos e os venenos usados nas lavouras e despejados nas represas pelas enxurradas, mas o pior é o lixo, e os entulhos levados pelos pescadores e pelos turistas.
    
Este lixo abandonado nas áreas de preservação e nas águas das represas fatalmente os levará a morte. No que diz respeito às áreas de preservação é óbvio que os princípios e os valores de hoje não são os mesmos de 10 anos atrás. A mudança no comportamento das pessoas e a consciência ecológica evoluíram muito, mas ainda engatinhamos. Com a verdadeira onda ecológica que “navega” no país, e no mundo, estamos todos mais lúcidos, mas infelizmente pela falta de atitude dos políticos, pela passividade das atitudes, pela omissão e o descaso dos cidadãos comuns, as áreas de preservação permanente não tem merecido o devido respeito necessário. As pessoas estão espalhando lixo e entulho por toda parte, lugares mágicos de tirar o fôlego, estão se tornando um grande depósito de lixo e mau cheiro. Num passado recente era possível até beber água das represas. Hoje isto é considerado uma aventura insana e perigosa para a saúde. Promover o desenvolvimento destruindo e emporcalhando o meio ambiente, é fazer uma “roleta russa” sem poder prever as conseqüências e os resultados para as gerações futuras. É deplorável ver as pessoas despejando seu lixo nas represas, nos acostamentos das rodovias, e principalmente no perímetro urbano das cidades. Jogar lixo nas áreas de preservação é um crime ambiental sério e um problema gravíssimo que as autoridades e a atual administração têm para solucionar, mas depende do esforço de todos.
    
Existe um trabalho científico que tem como parecer técnico que um hectare de floresta numa área de preservação, com todos os valores agregados, se explorado vale entre 25 e 30 mil dólares. Este é um parecer infeliz, é um trabalho ingênuo, ridículo e que beira o absurdo. Quando a relação de simbiose entre o homem e o ecossistema não é respeitada, e é rompida a degradação é tanta que a vida se extingue. O homem é capaz de atitudes extraordinárias e grandiosas, mas ao mesmo tempo somos capazes de gestos mesquinhos e minúsculos. Com suas competência o ser humano consegue colocar uma sonda espacial gigantesca, que pesa toneladas na órbita de Júpiter e transmitir para a terra imagens de nitidez incríveis, entretanto com nossa ingenuidade, nos tornamos impotentes e não conseguimos trazer de volta nem resgatarmos qualquer forma de vida extinta. Quando uma espécie desaparece, a perda não pode ser avaliada, e o que é pior, é para sempre. Destruir a biodiversidade, espalhando lixo e entulho por todos os lados, sem um estudo sério e real dos impactos ambientais pode se tornar uma catástrofe, um genocídio.
    
Sabemos que vários espécimes vegetais e animais, já desapareceram sem sequer terem sido catalogados e conhecidos da ciência. Com praticamente a metade da população do planeta vivendo abaixo da linha de exclusão e pobreza. O tratamento fitoterápico a partir dos princípios ativos contidos nas plantas representa a única esperança de tratamento e cura de doenças terríveis, incuráveis para estes mais que excluídos, crianças com síndrome de down, velhos com alzimmer, pessoas jovens com câncer, aidéticas, será que esta esperança tem preço?
    
No limiar do terceiro milênio, em pleno século XXI ao assistirmos estarrecidos, o desenrolar da crise política atual, notamos que os políticos, as autoridades, e até mesmo as pessoas comuns, salvo por exceções, querem fazer da política um grande bazar de negócios da China. Além do que estão muito preocupados em se livrar do “lixo e da lama” que espalharam, por isto não tem tempo, não se tocam, não respeitam a natureza, e até fecham os olhos fingindo não ver áreas de preservação permanente. Daí pensar numa realidade mais justa e fraterna entre os seres vivos, ou no homem interagindo com amor, admiração e respeito com a natureza, parece um sonho bem distante de ser alcançado.