Estratégias do Imperialismo Norte-Americano




Imperialismo
Avitória eleitoral da Frente Popular no Brasil em 2002 constitui um fato inédito na história do país, se partirmos “a posteriori” da queda do muro de Berlim e da desintegração da URSS (ex União Soviética). A incontrolável crise de esgotamento do regime capitalista e a ofensiva ideológica, política econômica e militar generalizada sobre o conjunto dos povos explorados do terceiro mundo, e a turbulência da deficiência econômica refletida na América Latina pela crise econômica do bloco Asiático, - quando deixou a Argentina num momento de revolução em aberto em 2001, e o Brasil, do então FHC, numa corda bamba, à risco do efeito dominó no continente, quando do sucateamento de todas as conquistas dos trabalhadores brasileiros; o FMI e o Banco Mundial entenderam que era chegada a hora de Lula conquistar o poder.
   
Somente “Lulinha paz e amor” poderia frear o movimento de massas que entrava em efervescência no Brasil, na cidade e no campo. E para passar o bastão da cogestão da crise capitalista no País às rédeas de Lula e do PT, fora necessário a escancarada guinada do partido dos trabalhadores à direita; que já fazia parte do grande acordo costurado nos bastidores, do planalto até à Casa Branca. A massa explorada do país caiu no vislumbre com a vitória da Frente Popular.
       
Os sindicatos ficaram engessados sob o controle da CUT atrelada ao poder, os movimentos de massa envoltos numa camisa de força da “esperança”, e o MST com a sua direção sufocando as suas bases num pedido de trégua, em acordos com a cúpula do PT.
   
Assim, no momento em que o capitalismo dá seu último suspiro e agoniza na UTI de suas desesperadas cartadas, somente Lula traria o perfil necessário para o imperialismo norte-americano de ter audiência com os governos capachos imperialistas da América Latina, sendo o porta-voz da Casa Branca, para viabilizar de forma pacífica, a implantação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), que passará a vigorar a partir de primeiro de janeiro de 2006. Esta é a nova política imperialista que chega para recolonizar as nações atrasadas da América Latina, atacando o que resta das conquistas dos trabalhadores sob fachada de defesa do “livre comércio”, e rapinar as precárias economias dos países atrasados das Américas saqueando suas economias, mercados e recursos naturais, sendo o Brasil, seu principal alvo, porque ainda tem leis sobre limites mínimos de componentes nacionais em produtos industriais, ou que exigem transferência de tecnologia como condição para investimentos.
   
“O acordo, em seu capítulo sobre investimentos, garante às companhias americanas o direito de, a pretexto de investirem nos países do bloco, se apropriarem dos recursos da Amazônia. Investimentos, nesse caso, não são apenas fábricas, mas, terras, moedas e ações na Bolsa de Valores.” (Jornal Luta de Classes FMTI).
   
Para que continue esse processo de pilhagem das economias dos países atrasados e de seus endividamentos externos, George W. Bush tornou-se peça indispensável à continuidade da hegemonia do império norte-americano, na tentativa de salvaguardar o capitalismo em sua fase terminal. Isso torna possível garantir a reeleição de Bush numa suposta manipulação da Casa Branca no processo eleitoral norte-americano para dar continuidade aos planos imperialistas; o que torna fundamental também, para esta nova maquiagem da globalização que está gerando uma massa amorfa de seres subumanos, desprovidos de capacidade de raciocínio, engolidos pela lógica irracional da Revolução Tecnológica, sem perspectivas de sobrevivência e sem qualquer identidade cultural, - o que o governo da Frente Popular do Brasil deva se reeleger no próximo pleito, tal qual, oligarca e pró-imperialista. (Curioso destacar, que o “modo petista de governar” emplumado na Frente Popular dividiu os cargos do Palácio do Planalto com canalhas de todos os matizes, do PFL ao PSDB, com toda a corja de liberais burgueses que estão atolados no lamaçal da corrupção).
   
O mundo depois da queda do muro de Berlim em 1989 realçou luzes de néon com a máscara luminosa da globalização, que tenta esconder o rosto do gigante agonizante, o império norte-americano, que paira sobre o conjunto dos povos do planeta como polícia do mundo e juíz supremo da humanidade, com a aparência tenebrosa da barbárie generalizada.
   
Nada mais do que estarreceu o mundo a quase 60 anos atrás, após o fim da Segunda Guerra Mundial, - a construção do muro de Berlim dividindo as duas Alemanhas e as denúncias que chocaram o globo terrestre com o extermínio de seres humanos nos campos de concentração nazistas, - hoje, em pleno século 21, assistimos de camarote o massacre aos povos do Oriente Médio; as torturas nazifascitas nas prisões do Iraque e de Guantânamo e a edificação da barreira desumana, o muro de Jerusalém dividindo a Cisjordânia, uma humilhação ao povo sofrido da Palestina, pelas mãos de Ariel Sharon, o cão de guarda do senhor da guerra George W. Bush.

Carlos Donizete é escritor e acadêmico
em Design de Interiores
cursando o último ano na UNIUBE