O Grande Mistério das Taxas de Juros




Juros
Ib Teixeira
Outro dia encontramos na internet revelação interessante do internauta Mauro Prestes. Segundo ele, se uma pessoa tivesse depositado R$ 100 na caderneta de poupança em julho de 1994  - data do lançamento do Plano Real -, teria atualmente em sua conta algo em torno de R$ 374. Mas, se na mesma ocasião tivesse ido a um banco e contraído um empréstimo de R$ 100, qual seria hoje o montante de sua dívida? A resposta, para minha surpresa e certamente espanto dos leitores, seria nada menos que R$ 139.259! Vamos repetir: centro e trinta e nove mil duzentos e cinqüenta e nove reais!
Mas existe algo ainda mais interessante. Qual seria o poder de compra nos dois casos? Vejamos: com em julho de 1994 o salário mínimo valia R$ 64,79, a aplicação teria sido de um salário mínimo e meio. E o que é pior, seu ganho hoje (R$ 374) seria inferior ao total da aplicação, considerando-se o atual salário mínimo: R$ 300. Ou seja, 1,2 salário mínimo! Porém, no caso do empréstimo, o montante do banco iria a 464 salários mínimos. Eis o que antigamente se chamava um “negócio da China”: oferecer empréstimos.

Será por isso que a televisão aparece todos os dias com anúncios dos bancos disponibilizando dinheiro “fácil” aos aposentados?

Em função dessa história, que está fazendo sucesso entre os internautas, um pede que explique como funciona esse negócio dos juros. Vamos lá.

Segundo a teoria econômica, o juro é a remuneração do dinheiro (Capital). Assim como o salário, teoricamente, é o pagamento dos serviços prestados com o trabalho, e o aluguel seria a remuneração do uso da terra ou de um imóvel (renda), os juros, em forma simplificada, devem ser entendidos como uma simples mercadoria que chamamos de capital. Eles podem crescer em forma colossal com o passar do tempo e com o valor das taxas. Também por isso ninguém deve comprar ou tomar empréstimos sem considerar o valor efetivo das taxas, uma vez que tem muito banco malandro oferecendo empréstimos, sem falar no valor dos juros, das taxas de administração e outras coisinhas mais que costumam aparecer no final das contas.

Aqui nasce outra pergunta: para que serve o juro? Segundo o pensamento tradicional, ele pode ser a mola propulsora do desenvolvimento econômico ou, na pior hipótese, o elemento destrutivo da riqueza das nações. Ou seja, existem juros e juros. No caso dos países em desenvolvimento, como o Brasil, que sofrem com uma evidente carência de capital para investir em novas fábricas, novas estradas, novos serviços que produzem bem estar e emprego, estas nações recorrem aos países que estão com seus cofres abarrotados de dinheiro.

Isto é, fazem empréstimos e mais empréstimos e terminam pagando juros semelhantes aos do hipotético cidadão do início da matéria, que em 1994 tomou R$ 100 reais no banco. Ou seja, em nosso caso, graças à força das taxas de juros cobradas pelos banqueiros internacionais, apenas a dívida do governo federal se aproxima atualmente dos R$ 900 bilhões. Considerando-se o total da dívida, desde o início do Plano Real, em 1994, o Brasil deve pagar cerca de 1 trilhão de reais em juros da dívida pública!

R$ 1000.000.000.000,00. É muito zero para pouco dinheiro tomado em empréstimos. Isso também representa o total de tudo o que o Brasil produziu em 2001, ou seja, seu Produto Interno Bruto (PIB) daquela época. O economista Márcio Póchmann, da Universidade de Campinas, calcula que apenas nos anos 90 a despesa com os juros pagos ao exterior representou quase três meses de salários de todos os brasileiros.

Mas os juros, quando adequados à realidade de um país, também podem ter um caráter positivo ao estimular a poupança e conduzir os empreendedores a fazer negócios.

Havendo sobra de dinheiro é possível aplicá-los não na ciranda financeira, mas em fábricas, serviços, comércio, etc., o que obviamente vai gerar mais empregos e mais bem-estar para a população. Muita gente também deixa de gastar em supérfluos e encaminha a sua sobra de recursos para a atividade produtiva. Guarda-se hoje para desfrutar amanhã. Assim, ficamos sabendo que os juros têm um caráter ambivalente: podem servir tanto para impulsionar o progresso como para nos lançar à recessão, ao desemprego. Nesse jogo de cartas marcadas quem realmente não perde nunca é o banqueiro.
*Ib Teixeira é Jornalista

Onde o Capitalismo é Bom
C.A. Cerchi

As publicidades dos bancos brasileiros levam as pessoas a acreditarem no paraíso terrestre. Pessoas idosas curtindo uma praia ou pescaria com crianças sugerem a idéia de que o banco trabalha para o cliente. Na verdade o cliente trabalha para o banco na medida que taxas exorbitantes são cobradas na gestão do dinheiro em conta corrente.
    
A lógica do lucro admite mensagens publicitárias de pessoas escrevendo no ar o símbolo dos bancos assumindo posturas elegantes e esotéricas. É a contradição dos gestos para quem o capitalismo dá certo, ou seja os banqueiros. Os dados da lucratividade dos bancos impressionam pela voracidade tornando questionável a importância de se ter uma conta no banco.
    
Uma conta mal administrada pelo cliente leva-o a inadimplência, esta conspira contra a economia popular.
    
No ano passado, o banco Itaú, segundo dados da própria empresa financeira divulgados em fevereiro de 2005, teve  o maior lucro liquido da história dos bancos da capital. O valor do lucro atingiu R$ 3,776 bilhões. Em seguida veio o Bradesco cujo lucro foi de R$ 3,06 bilhões, depois o Banco do Brasil com R$ 3,024 bilhões. O Unibanco teve saldo positivo em 2004 de 1,2 Bilhão. O setor bancário como um todo teve o lucro liquido aumentado em 22,4 % em relação ao ano anterior (2003), somando nada menos que 13,74 bilhões.
    
Estes dados refletem a força dos bancos numa economia cujo salário mínimo é de R$ 300,00. Essa disparidade entre a força de trabalho mal remunerada e o lucro do capital financeiro remete à idéia urgente de tornar realidade, como nos paises desenvolvidos, a taxação de impostos sobre as grandes fortunas como forma de minimizar o maior problema da economia brasileira: a má distribuição de renda.