A Casa Urbana Eclética




Casa do Coronel
 A casa urbana brasileira teve seus estilos (em vários momentos) e, a que mais se popularizou após o seu auge foi a casa com a fachada eclética. Quando este momento chega ao Brasil, somente os mais abastados e, o homem, na busca da sua individualidade e de sua nacionalidade, transformam o modelo de uma nova moradia. Casas suntuosas passam a exibir um outro conceito de construir (da taipa para o tijolo), e a já cansada tri-partição burguesa  passa a exigir de seu interior detalhes e decorações mais arrojados. Banheiro interno e área verde no quintal foram umas das ousadias!
    
O termo ecletismo ainda não se falava por aqui, e seu movimento ocorre (primeiro na Europa) com o advento das formas que davam o ferro, no programa de necessidades, da mão de obra especializada, do poder de importação de peças decorativas, principalmente para os brasileiros, e equipamentos vários; pois a burguesia exigia uma nova maneira de morar.
    
O movimento eclético surge no Brasil no final do século XIX até o começo do século XX, logo após o período neoclássico que teve o seu auge por volta de 1830 que nada tem a ver com o eclético. O ecletismo traz em si formas rebuscadas nos frontões, balaústres, fachadas e ferragens. Alguns arquitetos utilizando influências do barroco procuravam seguir influências de diversos estilos em uma única construção, a arte oriental e o clássico.
    
O prédio que ilustra este artigo, cuja arquitetura é eclética, realça em si todo o momento de sua criação: o modo de vida do homem que surgia a passos mais rápidos à modernidade, atendendo a necessidades funcionais nestas construções com tecnologia sofisticada da época, também conhecida por “Belle Èpoque”.  
    
A sua fachada composta ao alto por uma platibanda com cornijas por cima e por baixo, alinhadas e simétricas, deixando as formas de balaústres vazadas na sua extensão. Acrotérios pontiagudos sobressaem por trás como adornos também em simetria. Sobre as janelas elementos em forma de entabamento romano(falso) utilizado em vários períodos da arquitetura. Mais acima, os três arcos plenos(um central e dois laterais) avançando à platibanda, onde em seu interior encontra-se relevos de conchas, típicas do movimento barroco. Vários elementos e adornos rebuscados reforçam de fato a presença do barroco, quando detalhes da pintura realçam o dourado em pilastras encimadas por cornijas e rematadas por três arcos plenos e relevos em mosaicos ecléticos. As janelas em madeira com seus caixilhos característicos do momento, personificam essa época do ecletismo no Brasil.

* Carlos D. Bertolucci é concluinte do curso de Design de Interiores pela
Universidade de Uberaba