Informe Histórico
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Autor: Carlos Alberto Cerchi
Um cortejo de esperanças e ilusões se instala em todos os espíritos no início do século XX. A República, proclamada em 15 de novembro de 1889 abriu perspectivas para um país livre da Escravidão e da Guerra do Paraguai na virada do século. Uma onda de modernidade atinge o Rio de Janeiro, então capital do Brasil. A população reluta e vai para as ruas protestar contra a vacina obrigatória, e outras medidas de saneamento impostas pelo despotismo iluminado dos governantes.
Em 1900 a população do Brasil é de 17.318.556 habitantes. As novidades estão presentes na alvorada do século. O automóvel e a aviação estão entre as decisivas. Santos Dumont conquista Paris com invenções e estilo.
O café, base e sustentáculo da economia desde os meados do século anterior, torna-se a alavanca que vai transformar o país. Os capitais que o ouro verde permite amealhar patrocinam grandes mudanças: com as chaminés das industrias e o crescimento das cidades, o estilo de vida vai mudar.
As contradições do capitalismo se fazem notar com o surgimento das primeiras organizações dos trabalhadores, fruto das idéias anarquistas trazidas pelos imigrantes que junto aos brasileiros formam a massa anônima, mas não amorfa dos operários urbanos. Estabelece-se uma dicotomia entre Sociedade Patriarcal e de Tempos Modernos. Entre 1900 e 1910, época de transição, começam a definir-se os rumos da política e da cultura nacionais. Em 1902 é eleito Rodrigues Alves presidente da república, Euclides da Cunha publica “Os Sertões”; “Dom Casmurro” de Machado de Assis e “Canaã” de Graça Aranha já são conhecidos.
Em 1903 uma greve geral pela jornada de oito horas e melhorias saláriais sacode o Rio de Janeiro. Novamente em 1904, a revolta popular contra a vacina obrigatória revela o verdadeiro motivo do levante: o aumento do custo de vida e o desemprego.
Minas Gerais ainda é um vazio demográfico, e sua economia é agrária. “As exportações de café enriquecera, ao mesmo tempo, São Paulo e Minas, os dois maiores produtores brasileiros no começo do século XX, além de produtos pecuários e agrícolas em ascensão, o estado mineiro tem importantes indústrias metalúrgicas, baseadas na extração de ferro, cobre e manganês".
O Triângulo Mineiro participa dessa nova etapa com importante contribuição regional. A Cia. Mogiana de Estradas de Ferro, ramal Ribeirão Preto-Araguari, é a principal via de comunicação dessa região com São Paulo e por extensão o Rio de Janeiro e o Porto de Santos, então corredor exportador da rubiácea. Em 1904 Sacramento tem quatro estações da Mogiana em seu município: Jaguara, Cipó, Conquista e Guaxima.
O perfil urbano é alterado. Surgem novas ruas e construções sólidas identificadas na sua arquitetura com o opulento ciclo do café e a expansão da criação de gado, que viria ser incrementada com a importação do gado zebu da Índia nos anos subseqüentes.
A cidade urbaniza-se com ruas cascalhadas, meio-fios e encanamento de água potável e com surgimento de mais escolas elementares. Nesse processo, as casas adquirem estruturas sólidas, com edificações de alvenaria, com a contribuição dos imigrantes. O primeiro prédio urbano sem esteios em Sacramento, foi o Paço Municipal construído no início dos anos de 1890. Muitos vinham de longe para conhecer a casa sem esteios e nem baldrames de aroeira.
A Rua Municipal e a do Comércio passaram a adotar construções desse tipo, graças as olarias regionais surgidas no início do século. Nesse período é construído o prédio onde mais tarde funcionou o primeiro cinema da cidade, por José Bertolucci e seu filho Carlos Bertolucci (Carleto) que também seriam responsáveis pela construção dos principais prédios de alvenaria na época. A implantação da energia elétrica era conseqüência inevitável na ordem dos progressos obtidos ao longo dos anos.
O engenheiro Francisco Palmério, construtor do palacete do Cel. José Afonso de Almeida, além dessa obra, projetou e executou a primeira rede de abastecimento de água potável do município, e contribuiu decisivamente com a sua inteligência para elaboração do traçado urbanístico da cidade.
Na primeira década do século XX Sacramento daria um salto de desenvolvimento. A implantação da usina hidrelétrica do Cajuru e a linha de bondes elétricos entre a cidade e a estação férrea no Cipó são exemplos de algumas obras implantadas nesse período. Esta é uma outra história, desdobramento fantástico que retrata uma epopéia a ser relatada em outra ocasião.
