Traíra, o peixe genuinamente brasileiro




TraíraAs traíras são peixes de origem pré-histórica, da família “Erythrinidae”, que pertencem ao gênero “Hopliasgill”, e são denominadas cientificamente como “Hoplías malabacicus malabaricus (BLOCH, 1794) lobó, traira” .
    
São peixes de pequeno porte, podendo raramente alcançar  40 cm, e pesar em torno de 2 Kg. Tem coloração marmórea, com listras transversais em castanho escuro sobre a linha dorsal lateral de cor também castanho escuro.
    
Eventualmente os machos podem apresentar coloração mais escura, porém não confundir com seu parente “Trairão”  “Hoplias lacerdae (RIBEIRO, 1908). Trairão”, de coloração preta, de grande peso e tamanho.
    
As traíras são peixes com escamas, possuem hábitos alimentares pscívoros, isto é, alimentam-se de pequenos peixes, insetos, larvas, anfíbios, etc. Seu recorde mundial de captura homologado é de 1,41 kg, capturado no Rio Piqueri/ MT, Brasil, no dia 11 de Agosto de 1996, pelo pescador Sandy Blum. Existem relatos de traíras mais pesadas capturadas no Rio Grande, o que na maioria dos casos não passa de confusão com seu primo “Trairão”.
    
As traíras são consideradas pelos biólogos, pescadores e até pelos pescadores, o peixe mais genuíno do Brasil, pois existe do Oiapoque ao Chuí; habita todas as bacias hidrográficas do Brasil; vive em todos os rios, represas e cursos d'água que existem no país.
    
Não são peixes de piracema, ao contrário são territoriais, vivem e se reproduzem em lagoas e ambientes lênticos, mas eventualmente podem ser encontrados em rios com pouca corredeira para se alimentar. Cuida dos filhotes e do seu território com muito vigor, atacam tanto as iscas naturais e artificiais com muita esportividade, causando “frisson” nos pescadores.
    
As traíras são peixes com desova parcial, ou seja, com várias desovas por ano, com proliferação alta, apesar de possuir muitos “espinhos”, e não ser um peixe de grande valor comercial, seu filé é delicioso, e está entre as mais saborosas. A Traíra É um dos peixes mais populares e conhecidos no país, nos estados da região sul e mais conhecida por “lobó”, daí a velha expressão “pescador de lobó” comum entre os participantes da pesca, o que significa pescador fraco, ou pescador ruim.
    
Por sua aparência desagradável, as traíras não têm sua importância reconhecida por alguns. Por possuir dentes cortantes, pontiagudos e salientes; são acusadas indevidamente de destruir os cardumes de alevinos, o que não passa de ignorância e lenda. Na realidade elas estão à mercê, e totalmente indefesas, da saga exterminadora dos seres humanos. Nós as julgamos, condenamos e nos transformamos em seus algozes. Entretanto para a ciência as traíras têm importância fundamental, pois além de conservar até hoje suas características primitivas, podem viver e se reproduzirem em ambientes muito poluídos, e com pouca oxigenação. Podem deslocar-se no seco, migrando de uma poça para outra, e até, viver enterrada no barro, na época das secas por meses; graças a uma reserva de água guardada no corpo.
    
A folha de São Paulo do dia 09 de Setembro próximo passado, no caderno de Ciências públicou uma matéria estarrecedora, em reportagem do jornalista Reinaldo José Lopes. Segundo ele, o brilhante pesquisador Fábio Porto Foresti (Universidade Estadual Paulista, Campus de Bauru) apresentou no 51º Congresso Brasileiro de Genética, na cidade de Águas de Lindóia, os resultados de sua pesquisa preocupante com peixes híbridos. Segundo o pesquisador, a lista de peixes híbridos criados em laboratórios clandestinos é maior que se imagina; passa de dez. Misturas híbridas, que parecem resultados de brincadeiras de criança, em que a diversão de juntar dois nomes de bichos como: leãofante já existem. Acontece que peixes como “Pirapora) e muitos outros são bem reais. Existem, e o pior, representam a mais nova ameaça aos rios brasileiros.
    
Ainda, segundo o pesquisador, os híbridos agiriam como espécies invasoras. Para quem acha que isto é pouco, estima-se que as espécies invasoras sejam a segunda maior causa de extinções no planeta. Seguramente a causa principal de extinções é o homem.
    
Estas misturas bizarras e grotescas surgiram de forma caótica, principalmente pela falta de escrúpulos destes pesquisadores de fundo de quintal, que agem na clandestinidade. Foram criadas de maneira inusitada e irresponsável, nos pesque-pagues, principalmente para atrair os turistas e os pescadores esportivos.
    
Se a excetricidade ficasse restrita aos pesque-pagues, seria só mais uma curiosidade inócua, para as pessoas verem e se divertir. No entanto, infelizmente o mal já está consumado, foram levadas para os rios brasileiros, pelas enchentes, soltos nos lagos naturais pelos pescadores curiosos e desinformados, e além disto podem ser comprados por qualquer criança nos pesque-pagues. O grande problema é que estas misturas híbridas grotescas têm uma característica “maldita”, o chamado vigor híbrido. Ao caírem na natureza o espécime misto que geralmente é mais belo, mais forte, mais adaptável e até mais sexy, ou seja, na competição interespecífica disputam comida, espaço, e fêmeas, onde levam grande vantagem sobre as espécies que proveio. Como as misturas híbridas geralmente são estéreis, imagina-se o que vai acontecer. Quando não pela sua precocidade e rusticidade, acabam suplantando as espécies nativas. Além do mais podem apresentar defeitos congênitos ou doenças genéticas, contaminando e destruindo os cardumes. Infelizmente estes biólogos mesquinhos e irresponsáveis, deveriam usar o grande talento que Deus lhes ofereceu, para salvar vidas e proteger criaturas desamparadas, ameaçadas de extinção. Mas ao passo que criando e patrocinando estas misturas bizarras, só enxergam todo seu ódio na natureza; manipulam, dominam e destroem criaturas inofensivas e indefesas. É necessário por um fim nestas atitudes criminosas e covardes de maneira inconteste, mas a decisão é política, e de alçada federal, o que torna o fato no mínimo preocupante.
    
Alguns pescadores são conhecidos por causos, estórias e mentiras, que não afetam e nem prejudicam ninguém, e isto não é certo, mas é desculpável, e às vezes  a gente até finge que acredita, porém, quando a mentira é contada por um político currupto, e envolve a nossa 'grana”, que a gente ganha com muito esforço e sacrifício, isto é revoltante e muito deprimente, ninguém agüenta mais CPMIS que cheiram mussarela, tomate e orégano; e nem políticos corruptos do passado e que agora “maquiados”, posam de honestos. Os políticos corruptos, depois de eleitos pela sua vulgaridade, seu comportamento mesquinho por mentir e trair seus eleitores e correligionários, são chamados de “traíras”, o que certamente é a maior injustiça cometida a um peixe brasileiro tão ilustre e popular, e que se pudesse reclamar, com certeza detestaria a confusão, e teria muita vergonha do apelido.