
No crepúsculo do ano de 2005 estivemos na fazenda de Manoel Peres, nos contrafortes da Serra da Canastra, ainda no município de Sacramento, nas vertentes do Ribeirão da Parida, exuberante manancial afluente da margem esquerda do Rio das Velhas nas cabeceiras primitivas da mesopotâmia que caracteriza o mapa do Triângulo Mineiro.
Em apenas um dia vivemos os contrastes do mundo moderno que permite identificar astros e satélites rastreadores do firmamento nas incomparáveis noites do Hemisfério Sul e as atividades de pastoreio de costume milenar dos camponeses. A ordenha das vacas com as mãos retesadas do vaqueiro.

O convívio e a firmesa de Manoel Peres que amansa bois e ainda sabe os pormenores do mistério das águas que brotam na serra e despencam de alturas inacreditáveis. Quedas que formam verdadeiras nuvens de fumaça d'água no vale de pedras, onde projeta-se o arco-íris na redoma em torno do ser humano que se aventura sob a gelada nuvem de gotículas suspensas pelo impacto gravitacional das águas no endurecido das rochas.
Neste cenário de primitivismo os elementos únicos da natureza se manifestam em harmonia e beleza e o ser humano se reencontra com as suas origens transcendentais. Transforma-se em criança ao explorar águas cristalinas, a flutuar em suas intrigantes borbulhas espumantes, onde a água faz o corpo flutuar.

Nesse ambiente o indivíduo encontra o seu verdadeiro EU, identificado com a exuberância da natureza que tem sentido por que o homem existe. Campos de cerrado, quebradas de rochas claras e terra ácida, paisagem de versátil cor verde cravejada de pedras desnudas.
Nas encostas matas galerias onde a água drenada corre sem sujar mesmo quando chove. Avencas, samambaias, epífitas orquídeas e bromélias desenvolvem em busca da luz difusa do interior da floresta tropical.

Durante o dia o céu é profundo e o azul de suavidade ímpar, um convite a exploração de terrenos já palmilhados pelos antepassados aventureiros a cata do minério cristalizado. Impossível descrever a experiência. Ver e deixar o sentimento fluir, abrir os braços sem ter alguem para abraçar, numa posição de alçar vôo que a imaginação permite.
Nesta identificação experimenta-se o êxtase que faz a inteligência e o sentimento reconhecer a grandeza do Criador e sua obra inspiradora do preito de agradecimento pela Vida. Dessa forma, torna-se praticamente impossível descrever a experiência.

Nédio, Alessandro, Marcus, Berto e Henrique estiveram nesse eldorado existente e possível de encontrar e vislumbrar nas lentes de uma câmera digital, imagens únicas existentes na mente humana, vividas em movimento sob o olhar atento e registradas na magia inexplicável da fotografia.