Parque Nacional da Serra da Canastra




Serra da CanastraO Parque Nacional da Serra da Canastra, recebeu esta denominação por estar em seu interior a Serra da Canastra.
Possivelmente o nome foi dado porque a serra se assemelha a uma canastra.

LOCALIZAÇÃO, TAMANHO, ACESSO

Está situado na parte sudoeste do Estado de Minas Gerais, entre os meridianos 46º 15' a 47º00 a W. Gr. e os paralelos 20º00'a 30º30' de latitude sul.
Abrange parte dos municípios de São Roque de Minas, Sacramento e Delfinópolis, com uma área aproximada de 73.000 ha.
O Parque Nacional da Serra da Canastra localiza-se entre as rodovias BR-381 que liga Belo Horizonte, Capital do Estado, a São Paulo e a BR-050 que une São Paulo a Brasília, passando por Ribeirão Preto, Uberaba e Uberlândia e BR-262 Uberaba-Vitória, passando por Araxá e Belo Horizonte.
Além dessas rodovias existe planejada a BR-146, que ligará as cidades balneárias de Minas e São Paulo aos principais centros do país. Essa rodovia passará junto ao Parque, o que possibilitará sua inclusão em importantes roteiros turísticos.
Mapa Serra Canastra
CARACTERÍSTICAS GERAIS

Geologia e Geomorfologia

A área onde se localiza o Parque Nacional da Serra da Canastra é de importância pela presença de uma gama de diversificações litológicas.
Nesta área, ocorrem rochas pré-cambrianas médias do Grupo Canastra com predominância, em alguns locais de quartzitos e, em outros, de micaxistos.
Há uma pequena ocorrência a nordeste do Parque de micaxistos do Grupo Araxá, bastante semelhantes aos do Grupo Canastra.
Dentro da ocorrência do Grupo Canastra há intercalações de rochas triássicas, mistura de arenitos e basaltos do Grupo São Bento.
Quanto à estrutura, a morfologia dessas formações está condicionada a falhas de empurrão de dimensões regionais. Encontramos em algumas calhas dos principais rios, terraços aluvionares constituídos predominantemente de seixo do quartzito Canastra.
A Serra da Canastra e suas semelhantes, formadas pelos quartzitos apresentam-se com superfícies onduladas e com aspecto ruinforme em determinados locais.
Seus contatos com rochas mais macias, como os siltitos do Grupo Bambuí ou micaxistos do próprio Grupo Canastra, são notáveis pela presença de escarpamentos consideráveis até de 200 m de desnível.
Tais escarpas podem ser apenas por erosão diferencial ou por falha de cavalgamento.
Uma série de protuberâncias quartzicas ruinformes no alto da Serra da Canastra se salientam em relação as superfícies onduladas peneplanas.
Em alguns locais, o aparecimento dos sedimentos cretáceos evidencia a peneplanície post-Gondwne, determinando a influência dos ciclos erosivos, que constituem esta superfície de aplainamento.

CLIMA


A temperatura média é de cerca de 21º C, a temperatura média do mês mais frio é inferior a 18º C e a do mês mais quente não ultrapassa 22º C ou varia de 22ºC a 24ºC, por causa da altitude (900 a mais de 1.450m).
O índice pluviométrico varia entre 1.300mm a 1.700mm, com estação chuvosa no verão e com inverno seco.

NATUREZA DOS SOLOS


“As diferentes unidades pedológicas encontradas desenvolveram-se em sua maior parte, sobre matéria autóctones destacando-se entre eles, os quartzitos e os micaxistos da Série Canastra do Pré-Cambriano e, também, sobre arenitos do Cretáceo e, ainda, sob influência de derrames de basalto”. (Levantamento dos recursos naturais. FUNDAÇÃO João Pinheiro).

VEGETAÇÃO


A vegetação do Parque Nacional da Serra da Canastra está na transição entre a Província Central e a Província Atlântica, classificada por Rizzini (1963), que, também, a situou na Subprovíncia do Planalto Central. Apresenta cerrados com predominância de campos limpos nas chapadas e comunidades rupestres no setor das serras, onde prevalecem famílias como Melastomataceae, Orchidaceae, Araceae, Droseraceae e Amarylidaceae.
Nas encostas e escarpas das chapadas ocorre o cerrado típico, com matas ciliares ao longo dos cursos d'água.
No trecho superior do rio São Francisco entre as altitudes de 1.000 a 1.500 metros, principalmente onde aparecem as nascentes, a vegetação é de campos limpos de altitude, sobre solos rasos e arenosos, que permitem o estabelecimento de comunidades vegetais rústicas, adaptadas às condições mesológicas locais, como as canelas-de-emas (Velloziaceae).
Encontra-se, também, representantes das famílias Eriocaulaceae, Ericaseae, Xiridaceae, Licopodiaceae e Asteraceae entre outras. Em locais úmidos pode-se encontrar, com certa freqüência o musgo Sphagnum.
Nos cerrados registra-se a presença do pequizeiro (Caryocar brasiliensis), o pau-santo (Kielmeyera coriaceae) a lixeira (Curatella americana), a lobeira (Solanum sp.), gramíneas e ciperáceas, entre outras.

FAUNA


A área do Parque Nacional da Serra da Canastra não possui grandes populações de animais, tendo em vista as alterações antrópicas de que tem sido vítima. Já em 1819 Auguste de Saint-Hilaire reportava o fogo na região, fogo este utilizado anualmente pelos ex-proprietários com o objetivo de brotação de pastagem para o gado doméstico.
Esperava-se, todavia, agora que a área pertence ao governo, que seja totalmente protegida favorecendo a recuperação da fauna autóctone.
Ainda existe na área do Parque Nacional da Serra da Canastra, algumas espécies oficialmente declaradas ameaçadas de extinção como o lobo-guará (Chrysocyon barachyurus), o tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla), o veado-campeiro (Ozotocerus bezoarticus), o tatu-canastra (Priodone giganteus), o ouriço-preto (Chaetomys subspinosus) e a janauíra (Speothos venaticus).
Dentre outras espécies notáveis, pode-se ressaltar: a suçuarana (Felis concolor), a jaguatirica (Felis pardalis), o veado-campeiro (Mazama gouazoubira), o tamanduá-mirim (Tamanduá tetradactyla), o bugio (Alouatta caraya), o macaco-prego (Cebus apella) e o sagüi estrela-de-pincéis-pretos (Callithrii p. penicillata).
Com respeito à avifauna, são freqüentes: a ema (Rhea americana), a siriema (Cariama cristata) a perdiz (Rhynchotus rufes cens) e a codorna (Nothura) e o tucanuçu (Ramphastus toco), destacando-se pelo seu canto os bicudos (Oryzoborus crassi rostris) e os curoós (O. angolensis).

APRECIAÇÃO ECOLÓGICA

Mapa Serra da CanastraO rio São francisco  Rio da Unidade Nacional  tem suas nascentes dentro do Parque Nacional da Serra da Canastra, o que já torna este Parque de grande interesse ecológico.
Dentro dos seus limites ainda são encontradas várias nascentes do rio Paranaíba e do rio Grande, que contribuem para a bacia do Paraná. Portanto, o Parque Nacional da Serra d Canastra está no divisor de águas dessas duas importantes bacias. Inúmeras cachoeiras de grande beleza cênica existem no local com destaque para a  Casca  D'Anta.
Estando localizado na Província Central, Rizzini (1963), a área do Parque oferece imensa potencialidade para pesquisas relacionadas com a fauna e com a sucessão ecológica, em campo de altitude.
Abriga várias espécies endêmicas da flora e várias espécies da fauna relacionadas como ameaçadas de extinção.

ASPECTOS NOTÁVEIS

Nascendo na parte nordeste do Parque, no Chapadão da Serra da Canastra, o rio São Francisco recebe os córregos do Retiro das Posses, Copão e Lavras, percorrendo cerca de 14 km em áreas de pouca declividade, até atingir a escarpa da Serra da Canastra, onde se precipita formando a cachoeira Casca D'Anta, com três quedas, sendo que a última e a mais espetacular possui cerca de 200m de altura.
A Casca D'Anta  despencando-se do Chapadão  é sem sombra de dúvida, a maior atração do Parque Nacional, embora os Chapadões  o da Canastra e o das Sete Voltas oferecem paisagens de rara beleza cênica.
Sua flora com espécies endêmicas e a possibilidade de se avistar animais ameaçados de extinção e outros, chamam atenção de visitantes do país e do exterior.

HISTÓRICO


O Parque Nacional da Serra da Canastra foi criado em 1972 pelo Decreto Presidencial nº. 70.355 de 3 de abril. Está tecnicamente subordinado ao Departamento de Parques Nacionais e Reservas Equivalentes e administrativamente à Delegacia do Estado de Minas Gerais, ambos do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal, autarquia vinculada ao Ministério da Agricultura.