Cooperativismo Para Tudo e Para Todos
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Abordadem sobre o livro de Antonio Menezes
Na Inglaterra, na época da Revolução Industrial (1750 a 1830 aprox.), existiam muitas fábricas cheias de operários carregados de problemas e necessidades, pois enquanto as fábricas prosperavam, os operários viviam quase na miséria: muitas horas de trabalho, salário muito baixo, desemprego, fome, etc. E então, em meio a todos estes problemas, alguns operários resolveram se reunir para procurar uma solução e sentiram que só através da Cooperação poderiam sobreviver à crise. Através da União de 28 tecelões (operários), é criado um pequeno armazém cooperativo de consumo: a "Sociedade dos Eqüitativos Pioneiros de Rochdale".
E aí foi lançada a semente do Cooperativismo, em Rochdale, 1844.
Na 2ª parte do livro "Cooperativa de Crédito, o que é e quais seus Benefícios", o autor descreve o cooperativismo de modo geral fala da sua identidade, da sua definição dos valores, dos princípios.
Nesse capítulo trata-se também dos ramos do cooperativismo, ou seja, agropecuário, de crédito, educacional, produção, transporte, saúde, etc.
Refere-se ainda aos precursores, pioneiros, como Benjamim Jordam, David Brook's, Benjamim Rudmam, entre outros que fundaram, na Inglaterra em 1844 a sociedade dos probos pioneiros da Rochdale. Vários deles eram cartistas, o cartismo foi um movimento de protesto quase revolucionário na Grã-Bretanha entre 1836 a 1850. Os primeiros passos do cooperativismo de crédito ocorreram na esteira das idéias plantadas em Rochdale. O exemplo de Cooperativismo da Alemanha destaca com Luiz Hermam Schlze que estudou com os membros da comunidade formas de solução dos problemas que afligiam as pessoas. Schlze tinha em mente a educação dos cooperandos para uma sociedade mais solidária.
O exemplo da Itália é de Luigi Luzzati que deu seu nome as cooperativas do modelo Luzzati. Para ele e seus companheiros, o Cooperativismo deveria ser instrumento transformador da sociedade decadente. Hoje, vendo o andar da carruagem, é possível acrescentar à educação cooperativista ministrada por Luzzati mais as seguintes palavras: Cooperativa não admite “passa-moleque”; não se pode brincar com a boa-fé das pessoas. Luzzati trabalhou incansavelmente pela constituição de cooperativas de consumo, de produção, de seguros e de trabalho. Em 1909, o Banco do Povo de Milão era uma das maiores instituições bancárias da Itália, com setenta diretores não-remunerados e 100 escriturários assalariados. Eram 25.000 os membros, cerca de 2 milhões de dólares o capital e 32 milhões de dólares a poupança.
O autor do livro ainda cita o Canadá de Alphonse Desjardins que em 1901 abriu em Loevis no Quebec a primeira cooperativa de crédito. Desjardins inspirava-se na incícrica Rerum Novarum do Papa Leão XIII e nas exortações de Pio X, defensores de instituições que estimulassem a poupança e sua utilização pelas classes menos favorecidas. Poderíamos ainda referir-se aos Estados Unidos que adotou o sistema cooperativista entre 1921 a 1945. No Brasil o exemplo do padre Theodor Amistad no Rio Grande do Sul com a caixa de economia e empréstimos. Amistad, a exemplo dos católicos no Rio de Janeiro que trouxeram de Roma um modelo de cooperativa para assalariados.
Na realidade o cooperativismo de crédito no Brasil conseguiu forças após a constituição de 1988.
Cooperativa de Crédito - Conceito e objetivos
Uma cooperativa de crédito não é um negócio financeiro ordinário, buscando enriquecer seus membros às expensas do público em geral. Nem é uma empresa de empréstimos, buscando fazer lucro às expensas dos infortunados. A cooperativa de crédito não é nada desse tipo; é a expressão no campo da economia de um ideal social elevado.
O livro de Antônio Menezes trata da história da moeda e do crédito, do surgimento dos bancos, desde a antiguidade mencionando os babilônicos e fenícios como precursores da idéia. Passa pela idade média, pela Revolução Industrial na Inglaterra vindo até nossa época. O padre Theodor Amstad, para cá trouxe as experiências Raiffeisen e Luzzati de sua terra (Suíça). Há sempre uma data que marca a história essa data do cooperativismo cristão é 19/10/1902 que originou a 1ª cooperativa de crédito do Brasil e da América Latina a caixa de Economia e Empréstimos Amstad, existente até hoje. Surgiram então outras cooperativas à partir dessa experiência bem sucedida no Rio Grande do Sul.
Depois dos anos 1920, o ramo Crédito não progrediu tanto Mas lá pelos anos 1930-1940 recobrou forças, mais na linha do modelo italiano Luzzati, desta feita trazido por um grupo de católicos do Rio de Janeiro que fora a Roma participar de um Congresso Mariano. Este modelo voltava-se preferentemente para os assalariados e pequenos empresários, um cooperativismo de feição nitidamente popular feição dos então chamadods bancos populares. Há registro de as cooperativas desse gênero terem chegado a somar 1.200 unidades até os anos 50. Mas a caminhada não prosseguiu, talvez porque a gestão fosse confiada a aventureiros, um risco insensato, os aventureiros não têm compromisso com ninguém nem com as boas idéias. E aventureiros há em toda parte.
Finalmente, como se representasse nova tentativa de soerguer o cooperativismo de crédito, o modelo Credit Union americano, inspirado em Desjardins, aportou por aqui no final da década de 1950, ainda sob a influência da Igreja Católica. Sua implantação, digamos assim, coube ao idealismo e trabalho infatigável de uma mulher. Ela tinha o pleno apoio do então bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Hélder Câmara, que oferecia o Palácio São Joaquim para a articulação de iniciativas que favorecessem o povo. Maria Thereza Rosália Teixeira Mendes é o nome dessa admirável senhora, tratada por Terezita. Ela conferiu ao empreendimento cooperativo de crédito mútuo, uma profunda visão de solidariedade, nas pegadas de Dom Helder.
No Brasil o livro menciona o crescimento econômico a partir dos anos 50 com as suas mazelas, concentração de renda. Cerca de 30% dos municípios não tinham agência bancária, com muito espaço para a agiotagem. A falta de acesso a bancos pelo imensa maioria dos produtores rurais é outro fator inibidor do cooperativismo. O livro cita ainda os modelos Cresol e Luzzati como precursores e mostra o desenvolvimento da cooperativa de crédito a partir da constituição de 1988 até os nossos dias com os seus apelos para a necessidade de conscientização e participação de cooperado como condição para o seu sucesso. Nos anos 90, quando a OCB ( Organização das Cooperativas do Brasil) criou o conselho especializado de crédito que traçou uma nova engenharia para conferir maior vigor junto a autoridades, governos e de maneira muito especial o Banco Central no sentido de conquistar a abertura que ora chegou. A criação das centrais com o seu papel controlador e fiscalizado, veio aprimorar o sistema cooperativista.
A criação dos bancos cooperativos; o Bancoob com sede em Brasília e o Bansicred no Sul em Porto Alegre, respectivamente nos anos 1977 e 1996 no governo anterior fortaleceu a idéia cooperativista com criação da marca Sicoob. Com a criação da marca nacional do cooperativismo de crédito e do sistema de informação Sisbr que interliga em rede "on line" as cooperativas filiadas ao Bancoob melhorou o atendimento. De maneira enfática o livro revela as conquistas de instrumentos criados pelas centrais como fundo garantidor de depósitos o fortalecimento das auditorias e a profissionalização do controle interno, mostrando que o cooperativismo de crédito está se preparando para enfrentar o mercado que ora se abre.
Outra frase importante do livro diz: "Não se assegura a democracia política sem democracia econômica". Nesse aspecto destaca-se a necessidade de eficiência e credibilidade. A nossa cooperativa de crédito em Sacramento é um exemplo disso, não fosse ela eficiente, não teríamos conquistado a credibilidade que desfruta.
Sobre os órgãos de representação, o autor enfatiza que as centrais cooperativas podem proporcionar ganhos de escala, reduzir custos e fortalecer estratégias de mercado pela união de projetos de forças. A OCB Organização das Cooperativas do Brasil, cabe representar o cooperativismo do nosso país em todas as instâncias assim como a OCEMG representa o Estado de Minas Gerais.
O livro ressalta ainda o mérito que teve o presidente Luís Inácio Lula da Silva e o seu ministro da Agricultura e Abastecimento, Roberto Rodrigues na ampliação atual das conquistas do cooperativismo de crédito, conquistas que traduzem uma nova regulamentação das cooperativas possibilitando-as atuarem com mais desenvoltura no mercado financeiro. A cooperativa de crédito veio para atender milhões de brasileiros que não possuem sequer conta bancária.
Este é o grande mérito do cooperativismo de crédito. Necessário se faz fortalecer os princípios que norteiam esta filosofia.
No livro "A Cruzada" do Conselho Mundial das Cooperativas de Crédito, revela a história da luta da democracia econômica na América do Norte de 1921 a 1945. Narra a história expansionista das cooperativas de crédito na América do Norte e registra a saga dos heróis em favor da idéia da cooperativa de crédito.
O Cooperativismo veio para ficar, história de rara beleza e que traz lições profundas para o tempo presente de conceitos legados e na concretização de um projeto pouco comum e que contém medidas contra o capitalismo concentrador e a falta de democracia econômica. Um movimento forte em favor do desenvolvimento social e econômico das pessoas. Fator consolidado nos últimos 20 anos evidentemente após o obscurantismo do regime militar implantado entre 1964 e 1985.
Estamos vivendo um tempo novo favorável. O próprio Governo proclamou várias vezes e publicamente seu desejo de ver o crédito cooperativo mais difundido e praticado, especialmente no seio das populações mais carentes e entre os pequenos empresários, da cidade e do campo. Então é arregaçar as mangas.
