Estação de Sacramento




Estação ferroviária de SacramentoEra ali sua estação
Passa perto, passa perto, passa perto!
Sacramento! Sacramento!
Apear, descarregar, baldeação!
Sopé da serra do Cipó,
Trem pra cima / Trem pra baixo.
Fuligem no guarda-pó,
Resfolego, Maria fumaça:
Tô cansada, tô cansada!

Acaba a ligeira parada;
O passageiro fica esperto,
O guarda-chaves se apressa,
O limpa-trilhos se move,
O bonde não existe mais,
O armazém já não guarda
O fruto dos cafezais!

Viagem derradeira;
Vou sem volta, vou pro nada,
Vou me embora tô cansada!
Deixo o adeus no meu apito:
Piuí...Piuí...Piuí...
Passo nunca, passo nunca,
Numa mais eu passo aqui!

Deixo carros na estrada,
Que corta terra e capoeira
E sobre a Serra do Cipó,
Passa um corte, cachoeira,
Chega à gruta dos Palhares,
Mas é apenas um caminho,
Com acre cheiro de poeira!

Que fazer do “tombamento”,
Da estação de Sacramento?
Nada! Tempos já passaram,
Vândalos a destroçaram
Com “apoio”do descaso!
Muitos passam, indiferentes,
Nem reparam nos seus restos,
Ou olham com pouco caso,
Para as ruínas espalhadas,
Impregnadas de história,
De tantas gentes,
Que as vestiram de glória
E, tocadas pelo hálito frio
De um outrora, Grande Rio
Que preso, mui lento corre
E pelo vento de outono
Que varre,
Seus tristes restos imortais
E o nosso passado,
Que morre,
Cada dia um pouco mais!