Mulher
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Autor: Mário Salvador
Lutando pelos seus direitos essas valorosas mulheres decidiram por um protesto, seguido de uma greve. Os donos da fábrica, entretanto, quiseram dar uma solução rápida ao impasse e agindo em conjunto com a polícia, trancaram as portas de emergência do galpão das máquinas e atearam fogo, procurando mostrar a sua superioridade. Morreram 129 mulheres, por asfixia.
Em torno da data dedicada à mulher há registros importantes a serem considerados, com curiosas coincidências entre eles. No dia 8 de março de (novamente a data) de 1917 (27 de fevereiro no calendário russo) estoura uma greve das tecelãs (mesma profissão das mulheres americanas) de São Petesburgo. Esta greve gera uma grande manifestação e dá início à Revolução Russa. E em 1918 Alexandra Kollontai , lidera, em 8 de março, as comemorações pelo Dia Internacional da Mulher,em Moscou, e consagra o 8 de março em lembrança à greve do ano anterior, em São Petesburgo.
Em 1912, nos Estados Unidos, o Dia da Mulher é comemorado em 25 de fevereiro. Em 1912 e 1913, na Alemanha, o Dia da Mulher é comemorado em 19 de março. Em 1913, na Rússia, é comemorado, pela primeira vez, o Dia da Mulher, em 3 de março. E em 1914, pela primeira vez, a Secretaria Internacional da Mulher Socialista, dirigida por Clara Zetkin, indica uma data única para a comemoração do Dia da Mulher: 8 de março, sem que houvesse explicação sobre o porquê da data. E voltamos ao episódio de Nova York, que talvez possa ter influenciado na escolha da data de 8 de março.
Em 1921 a Conferência das Mulheres Comunistas aprova, na 3ª. Internacional, a comemoração do Dia Internacional Comunista das Mulheres e decreta que, a partir de 1922. será celebrado oficialmente em 8 de março. E em 1933, no dia 8 de março, Clara Zetkin, no Dia das Mulheres, toma a palavra em público pela última vez.
Alexandra Kollontai e Clara Zetkin , como se nota, destacaram-se na luta pelos direitos econômicos e políticos das mulheres.Principalmente pelo direito do voto.
No Brasil, em 1945, o PCB cria a União Feminina, contra a carestia. E Em 1947 o 8 de março é comemorado, pela primeira vez no país.
A luta pela igualdade entre mulheres e homens é antiga, como mostram os registros históricos. A luta continua, pois ainda se notam diferenças no pagamento de salários entre os dois sexos. Muitas conquistas, entretanto, foram conseguidas pelas mulheres ao longo dos anos, em todos os setores da atividade humana. Mas é forçoso reconhecer que há muitas conquistas a serem alcançadas, pois sobre os ombros das mulheres repousam mais responsabilidades do que sobre os ombros masculinos.
É inegável que a família está hoje desestruturada. A figura da " rainha do lar" praticamente deixou de existir, por inúmeros fatores, um dos quais a necessidade da mulher trabalhar fora de casa. Mas não se pode jogar sobre os ombros da mulher a degringolada da estrutura familiar. Ao contrário, se muitas mulheres não estivessem trabalhando fora do lar é bem provável que as coisas estivessem piores.
Mudou o Natal ou mudei eu? perguntou o poeta, abismado com as diferenças de natais por ele vividos. Mudou a mulher ou mudou o mundo? Fácil de ser respondida tal indagação: mudou a mulher, que por sua transformação acabou por mudar o mundo, através de sua luta vitoriosa em busca de seus direitos, pela coragem de tomar a iniciativa em decisões importantes na família,
por denunciar espancamentos sofridos dentro do lar, antes escondidos por mil temores, por assumir encargos pesados que, supunha-se, apenas poderiam ser arcados pelos homens.
Hoje a mulher está presente em todos os espaços da atividade humana e está se impondo na administração pública. Mulheres presidentes já não são novidades e mulheres que imprimem suas marcas em Ministérios , controlando os destinos do país, já são exemplos entre nós.
E no cotidiano da vida devemos ter sempre presente os enunciados muito antigos, mas cada vez mais valorizados: A mulher se completa na sua luta. E o homem sem mulher não vale nada. Isto até já deu samba. E dos melhores.
E que fique bem claro aos estudiosos do assunto: Não é o homem que está perdendo espaços. A mulher guerreira e aguerrida é que vai, com denodo, conquistando o que lhe é devido, por direito, em todos os setores possíveis e imagináveis. A mulher já não pede o que lhe é devido. Simplesmente vai conquistando o que é seu. Afinal, os direitos não são iguais para todos?
Mário Salvador é Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro
