Resistir: utopia possível
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Autor: Carlos Alberto Cerchi
Em todos os momentos da história somos obrigados a tomar decisões e fazer escolhas. A questão ambiental desperta no ser humano o sentimento altruísta. É agradável e bonito postar-se ao lado das matas preservadas, da liberdade dos animais silvestres, respeitando os mananciais e contribuindo para o desenvolvimento sustentável com a manutenção de um ambiente limpo, ecologicamente equilibrado. Porém é difícil estabelecer coerência entre o discurso e a prática. Afinal, argumentos preservacionistas são fortes. Invariavelmente, prevalecem os interesses econômicos financeiros imediatos, característica do capitalismo sustentado na filosofia liberal.
Sacramento encontra-se na encruzilhada, passível de caminhar novamente na contramão da história, e abriu a sua guarda em relação a cana-de-açúcar como opção de plantio para as suas férteis terras de basalto decomposto. Chegamos a esta conclusão na audiência pública, realizada na Câmara Municipal dia 06 de junho p.p.
Com raríssimas exceções, contrárias ao plantio intensivo da cana, pontuadas pelo representante do Ministério Público, Dr. José do Egito e pelo combativo produtor rural João Osvaldo Manzan, foram registradas intervenções a favor do plantio da cana-de-açúcar. A par das “defesas ambientais”, defendidas pelos adeptos da gramínea doce como opção agrícola para o município, a assembléia pautou pela opção mais cômoda.
Dentre os argumentos para aceitar a monocultura os participantes citaram a liberdade de opção para gerir a propriedade privada, aumento do ICMS para os cofres públicos, dinamização do comércio, investimento e produtividade e até falta de entendimento do assunto foram alegados ao lado da “defesa ambiental”. As melhores intenções e o “bom mocismo”aliado à inequívoca opção pela monocultura da cana-de-açúcar. Imediatismo a parte, o bolso continua a ser o “órgão”mais sensível do corpo humano. Pragmatismo e coerência ideológica do ideário que faz opção em plantar para exportar e não para produzir alimento.
Aos visionários resta torcer para o êxito da economia diversificada do município para resistir a avassaladora força dos usineiros (alguns deles os maiores devedores do Banco do Brasil) e do caminho predatório da onda verde sucro-alcoleira que ocupa o Triângulo Mineiro.
Resistiremos na defesa da agricultura orgânica e rotativa da diversidade agrícola, sobretudo valorizando a opção pela indústria mais produtiva e lucrativa do planeta: o turismo, ecologicamente sustentável e compatível com a agricultura familiar e diversificada.
O dedo de Deus está presente na história. A vizinha cidade de Araxá não fez opção pela cana (ver o mapa). Exemplo de firmeza e propósito na sua potencialidade turística e industrial. Assim como Uberlândia, Araxá deixará outras cidades a verem navios na busca do desenvolvimento pela opção inteligente.
Vaticinar o inevitável não é excesso de zelo. Resistir ainda que tardiamente é ato de bom senso e cidadania.
