Tributo a uma Educadora




No dia 22 de abril de 1905, em Engenheiro Lisboa, localidade naquela época servida pela estrada de ferro Companhia Mogiana, a família do Sr. Brasilino Correia de Carvalho e de D. Almira Resende de Carvalho foi engrandecida com o nascimento de mais uma filha. Olga foi o nome dado à menina. OlgaCom sete anos de idade e já dotada de viva inteligência, a pequena Olga começou os seus estudos em Ribeirão Preto, no Colégio Metodista. Depois, em Santos, estudou em um grupo escolar. Com dez anos de idade, foi para Franca, onde estudou interna no Colégio Nossa Senhora de Lourdes, das Irmãs de São José. Nesse colégio, estudou durante seis anos e teve como professora a grande educadora Irmã Maria José. Em 1920, terminados os seus estudos em Franca, Olga foi morar em Jaguara, onde na ocasião já residiam seus pais. Aconselhada por D. Mariana, sua avó paterna, logo se tornou catequista na capela do lugar. Aos domingos, numerosas crianças, acompanhadas por muitas de suas mães, eram catequizadas por ela.


Foi catequista durante 25 anos! Em 1928, começou a exercer mais uma atividade. Tornou-se professora da escola de Jaguara. No ano seguinte, casou-se com o Sr. Manoel Marcondes Leite, natural de Guaratinguetá. Tiveram três filhos: Maria Therezinha, José Luiz e Olga Maria. A caçula nasceu quando já moravam em Franca. D. Olga criou seus filhos com muito amor e dedicação. Por ser muito trabalhadeira, D. Olga nunca ficava sem ter o que fazer, quer em sua casa, quer na escola, quer na capela. Sempre quando podia, lia muito. Graças às suas leituras, tornou-se uma entusiasta admiradora do grande apóstolo São Paulo. Combativa, não era sua característica calar-se diante do erro. Sem dúvida, foi uma grande educadora. Os alunos de D. Olga, além de muito numerosos, eram reunidos em três classes de níveis de adiantamento diferentes. O trabalho da professora, portanto, era bem difícil, mas D. Olga tinha muito ânimo para lecionar. Rarissimamente faltava, pois mesmo quando ficava doente, quase sempre mesmo assim lecionava. Querida por seus alunos, era muito respeitada por eles. Na escola, sempre havia ordem, disciplina e respeito. Os seus alunos, assim, podiam aprender muito.


Olga Bertolucci    Desse modo, a escola de Jaguara logo se tornou modelo para as outras escolas rurais de Sacramento. D. Olga sabia que se deixasse de lecionar, muito dificilmente seria substituída por uma professora competente, porque o ordenado na época era muito pequeno. Por isso, enquanto pôde, continuou lecionando. Sabia que os seus alunos, muitos deles pobrezinhos e filhos de analfabetos, seriam muito prejudicados com a sua ausência. Assim, só deixou a sua escola, em 1946, quando precisou mudar-se para Franca, depois de 18 anos de luta em prol da educação das crianças de Jaguara. D. Olga residiu em Franca muitos anos. Em 1962, com a morte de seu marido, passou por um período de muito sofrimento. Entretanto, por ser muito religiosa, teve fortaleza de espírito.


Nos últimos anos de sua vida, foi vítima do mal de Alzheimer. Faleceu no dia 26 de julho de 1980. D. Olga recebeu de Deus muitos talentos. Não os enterrou. Soube com eles, de uma maneira extraordinária, servir a Deus e ao próximo.

 Vilarejo de Jaguara

Em Jaguara, estação ferroviária da Cia Mogiana de Estradas de Ferro, um dos primeiros pólos industriais do Triangulo Mineiro, funcionou a Cerâmica Jaguara, de Brasilino de Carvalho. Uma escola rural pioneira, os alunos eram filhos de operários e trabalhadores das fazendas do povoado de Jaguara, município de Sacramento MG, no Vale do Rio Grande, divisa com o estado de São Paulo (Rifaina). A fotografia mostra a professora  e mais 41 crianças de ambos os sexos perfiladas à frente da escola, provavelmente no final da década de 20. a professora Olga de Carvalho Marcondes dedicou duas décadas de sua vida à educação de crianças e jovens na Escola Mista de Jaguara.