Ao Leitor
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A cada dia os meios de comunicação se tornam mais eficientes e rápidos. A aldeia global preconizada na segunda metade do séc. XX tornou-se realidade.
O computador desenvolvido pela NASA, permitiu o êxito das viagens espaciais, tornou-se obsoleto comparado às máquinas que proporcionam o milagre da informática no alvorecer desse século. Esta modernidade, não chegou às instituições políticas.
As campanhas eleitorais revelam este atraso. São semelhantes às indicações da república velha, onde os políticos eram eleitos pela vontade das oligarquias que apontavam os “melhores candidatos”. Esta prática não foi abolida e os pretendentes e ocupantes da prefeitura patrocinam candidatos sem propostas ou ainda remanescentes e prosélitos da ditadura.
Seguramente, os postulantes em potencial do próximo pleito municipal, em razão do fisiologismo e da incoerência não estão credenciados a recomendar em quem votar. São, no mínimo cabos eleitorais que desprezam os partidos políticos e a participação popular. O país vai escolher seu presidente e a atenção é desviada para a eleição de deputados. Ilustres desconhecidos serão votados a partir do número e do nome sugeridos numa repetição contínua nos apelos sonoros e visuais poluidores da cidade.
A promiscuidade eleitoral, a falta de compromisso com os programas e a ausência completa do debate político favorece o uso do poder econômico e fortalece o desencanto dos eleitores que não se conforma com o sistema arcaico em vigor. O que fazer para reverter um sistema que favorece péssimos políticos?
O antídoto para escolhas infelizes está na formação política das pessoas. Dá trabalho buscar informação, participar de reuniões e banir o comodismo e o interesse particular imediato. Daí a necessidade da participação efetiva nos partidos políticos, sobre os quais repousam o sistema eleitoral do país. Anular o voto ou não votar torna mais fácil para os maus políticos se elegerem as câmaras estadual e federal favorecidos pela diminuição dos votos válidos sobre os quais incide a legenda necessária para conferir o mandato ao postulante. Este é o ônus para o eleitor consciente, votar e votar bem!
A natureza da revista DESTAQUE IN é cultural, não pretendemos a pregação de moralista no editorial da revista. Nosso intuito é chamar a atenção ao apelo generalizado de melhorar a qualidade do voto e reafirmar o axioma de que o voto tem conseqüências. Cultura e participação são direitos e valores de uma sociedade democrática. A busca desses valores e direitos e a sua vivência em plenitude justificam o espaço editorial ocupado em recaminhar o exercício da cidadania.
Esta edição é dedicada ao cientista e humanista Dr. Albert Sabin, virologista que entregou gratuitamente às crianças de todo o mundo o resultado de suas pesquisas que erradicou a paralisia infantil de centenas de países em todo o mundo, inclusive o Brasil.
Desde 1989, não se registra um caso sequer de poliomielite.
A vacinação promovida anualmente se deve à presença do vírus no ambiente e a existência da doença, ainda, em outros países. No dia 26 de agosto p.p. o Brasil promoveu mais uma campanha nacional de prevenção à poliomielite, data em que se comemorou nos EUA e no mundo inteiro o nascimento do Dr. Sabin. Ainda, nesta edição publicamos o artigo do médico Dr. Sivieri que trata da participação do Rotary Clube International na luta contra a doença no Brasil e no mundo. Albert Sabin, em vida teve pelo Brasil um carinho especial. Além da descoberta da vacina, contribuiu para organizar as campanhas em massa, no nosso país viabilizando o êxito e a erradicação da doença. Passou da hora o reconhecimento dessa conquista pela OMS (Organização Mundial de Saúde). Na mesma vertente publicamos interessante artigo sobre saneamento básico com ênfase ao trabalho desenvolvido pelo SAAE de Sacramento.
Valter Machado da Fonseca retorna à questão da monocultura da cada no triângulo Mineiro com o trabalho “cana-de-açúcar invade o cerrado”.
Carlos Donizette abordou as “maneiras de morar” de relevante importância no processo sócio-econômico que busca a eliminação do déficit habitacional existente em todas as cidades brasileiras.
Esta edição traz outros assuntos que dobrariam os comentários desse editorial, por isso remetemos os leitores às matérias de real interesse que tornam o nº. 70 de julho-agosto muito especial.
