O povo venceu a mídia




Durante a comemoração da reeleição de Lula na Avenida Paulista, uma faixa chamou a atenção de todos e principalmente da mídia: “O povo venceu a mídia”. Camila Machado
    

A afirmação e o desabafo mostrou bem o que foram as eleições de 2006.  A mídia que deveria ser imparcial tomou partido descaradamente e durante todo  o processo eleitoral. O PT e o presidente Lula foram alvo do poder dos meios de comunicação, o que levou a decisão da eleição presidencial para o segundo turno. As empresas donas da mídia tornaram-se um exército fortemente armado para combater “essa raça” como o senador Jorge Bornhausen-PFL denomina quem não é do seu partido ou aliado a ele, vimos uma imprensa partidária e raivosa que não se importou em momento algum em falar sobre desenvolvimento social e econômico, o importante era tentar derrubar o presidente, impedindo-o de ser reeleito.
    

Os escândalos do governo permitiram o ataque da imprensa, porém a mídia tornou-se tendenciosa durante o processo eleitoral, claramente poupou o partido tucano de uma porção de denúncias e fez parecer que o PT foi o inventor das falcatruas políticas, que o partido inteiro sempre foi uma corja, que tudo de ruim que aconteceu no país era culpa de um governo de menos de quatro anos. O golpe midiático não deu certo. O segundo turno foi fruto da imprensa, mas a derrota de Lula não foi consolidada, e realmente o povo venceu a mídia.
    

Esse acontecimento, mostra que a mídia em outros tempos foi  detentora do poder político. Poderia sim “ganhar” uma eleição, porém está um tanto desacreditada e enfraquecida apesar do inegável poder de persuasão ainda existente e capaz de formar opiniões. Fica claro também que o interesse de se descobrir de onde veio o dinheiro do famigerado “dossiê” era puramente eleitoreiro. O caso já não é mais chamada de telejornal e nem primeira página de jornal. Fala-se pouco do assunto .
    

Em tempos de discussão sobre ética, é terrível admitir que os códigos deontológicos do jornalismo são meros figurantes e que são usado apenas quando se convém.

Camila Machado é
jornalismo na Universidade
de Uberaba - UNIUBE