O Real Papel da Mulher na Sociedade Globalizada
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Autor: Carmem Lúcia Ferreira
Contudo, esta afirmativa não era verdadeira, ao contrário ela é falsa e cheia de inverdades, pois a inculcação ideológica que a sociedade burguesa tentou impor não corresponde com a realidade atual. Alexandra Kolontai afirmava que:
[...] Ao arrancar do lar, do berço, milhares de mulheres, o capitalismo converte essas mulheres submissas e passivas, escravas obedientes dos maridos, num exército que luta pelos seus próprios direitos e interesses da comunidade humana. Desperta o espírito de protesto e educa a vontade. Tudo isso contribui para que se desenvolva e fortaleça a individualidade da mulher. [...] Mas, desgraçada da operária, que crê na força invencível de uma individualidade isolada. A pesada carga do capitalismo a esmagará, friamente, sem piedade. (KOLONTAI, 2005, p.21)
Neste sentido, a autora coloca claramente o espírito de “revolução”, que deve estar contido, em cada mulher, seja qual for a época em que esteja vivendo, e principalmente atentar-se aos “modismos” e aos falsos discursos, que sempre tentam mesclar a realidade dos fatos.
Que diferença há em deixar seus lares, para servir os “donos dos meios de produção”? Não há diferença. Aliás, há; visto que ao se sujeitar à exploração da mais valia, sem dúvida é algo totalmente degradante para o ser humano. Tanto às pseudo “conquistas” no ingresso nas fábricas em busca de novas perspectivas, quanto o direito ao voto, dentre tantas outras, não passam de meros interesses da sociedade capitalista em “lucrar”, uma vez que a mão de obra feminina é mais barata.
Infelizmente, foi necessário o fato monstruoso de atearem fogo em operárias em uma fábrica na cidade de Chicago, pelo simples fato de reivindicarem menor jornada de trabalho. Daí surgiu o tão propalado “Dia Internacional da Mulher”, 8 de março, como forma de amenizar todas as formas de preconceitos e barbáries sofridas pelas mulheres por anos a fio.
Então se questiona: Há o que comemorar? Certamente não. É preciso urgentemente nos situarmos, enquanto mulheres e conquistar de fato e de direito nosso papel na sociedade. Na verdade, não devemos nos iludir com as flores e bombons, que neste dia, nos são ofertados. É preciso procurar compreender com que interesse e, ao mesmo tempo, quem os estão ofertando. Afinal, o dia da mulher é durante todo o ano, na árdua luta contra a desigualdade e opressão, junto com o conjunto dos oprimidos do mundo inteiro. Por fim, este ensaio tem a pretensão de chamar à reflexão, no sentido de se inteirar da real e exata dimensão da importância da mulher na sociedade, não só como trabalhadora, mas, sobretudo, como ser humano.
E, finalmente mostrar que com a mesma dádiva que elas têm de dar à luz e perpetuar a espécie humana, elas possuem também, o espírito de luta, de determinação e, sobretudo, o poder de mudar o curso da história.
BIBLIOGRAFIA
KOLONTAI, A. A Nova Mulher e a Moral Sexual. 3 ed. Revisão: Ana Corbisier e Joseline Almeida. São Paulo: Expressão Popular, 2005.
Carmem Lúcia Ferreira é Membro da AGB Uberaba - MG (Associação dos Geógrafos Brasileiros) e funcionária pública da Prefeitura Municipal de Uberaba (MG). E-mail: karmem04fonseca@yahoo.com.br.
