Sacramento 187 anos: pouco para comemorar, muito para refletir




“A administração pública direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade.” Artigo 37 da Constituição Federal

Críticas e reclamações são lugares comuns nos artigos escritos nos espaços de jornais. Invariavelmente culpam o presidente Lula de todas as mazelas do país. A corrupção dos políticos é o mote preferido. Situações complexas envolvendo a soberania das nações de países extremamente explorados como a Bolívia de Evo Morales, ou sistemas e tráfego aéreo com milhares de aeronaves decolando e pousando diariamente no Brasil são tratados com afirmações simplistas e incrivelmente levianas pelo despreparo dos articulistas.

Este editorial vislumbra a possibilidade de ser objetivo e leal com os leitores, colocando os acontecimentos locais com a visão universal das pessoas que buscam a verdade. Evidentemente questões políticas, ambientais, administrativas e sociais de Sacramento jamais seriam esgotadas num artigo de página de revista. Entretanto serve para marcar uma posição inequívoca da linha editorial da revista. Transparência e compromisso com os leitores e a cidade são motivos elementares da existência da revista, malgrado as suas dificuldades de manter a periodicidade em virtude também da sua independência. O aniversário da cidade é motivo ímpar para a reflexão e provocação aos detentores de mandato popular e de prerrogativas constitucional no sentido de assegurar a probidade dos entes políticos.

É inconcebível que Sacramento seja tratada como uma grande fazenda onde o dono determina ao capataz o que deve ser feito. O episodio da utilização de servidores públicos para fazer limpeza em propriedade do Prefeito é um desrespeito a todos, inclusive, ao próprio mandatário. Pelo menos cem anos separam esta atitude da atualidade. Os coronéis faziam do Poder Público extensão de seus pertences. Compatível seria a mudança do nome do PFL local para “Autocratas”. Princípios elementares da democracia foram ignorados ao serem negados elementos necessários para o Legislativo fiscalizar e tornar os atos administrativos transparentes e conhecidos de todos. Infelizmente este procedimento teve guarida na última cidadela, guardiã da Carta Magna que determinou princípios inequívocos no seu artigo 37 que trata da impessoalidade do Poder Público.

A Revista Destaque IN não é um partido político. Manifesta-se desassombrada e incisiva como meio de comunicação responsável. Ao longo do ano eleitoral que se inicia a revista não será um órgão de imprensa apolítico e expectadora amorfa de atitudes autocráticas dos detentores de mandato, predadores ambientais que pretendem renovar o mandato no próximo ano.

É dever da imprensa reconhecer o mérito do grande contingente de homens e mulheres que realizam um trabalho admirável e anônimo em favor da comunidade aniversariante. Sacramento encontra-se na Região Sudeste, no Triângulo Mineiro, uma das regiões mais ricas do planeta e certamente não pode ser considerada somente pelo seu desenvolvimento material, sobretudo deve ser avaliada por suas escolhas políticas e pela capacidade de resolvê-las.