Dourado - O Rei do Rio
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Autor: Raul de Melo Filho
Salminus brasilienses, é o dourado da Bacia do Rio São Francisco e afluentes;Salminus hilarii, é a Tabarana, e ocorre na Bacia do Prata e afluentes;Salminus affinis, é o dourado da Colômbia e do Peru;
E finalmente, Salminus maxillosus, que é o que mais nos interessa, pois habita o Rio Grande, que faz parte da Bacia do Prata.
O dourado é o salmão brasileiro, e sua carne é muito apreciada. São peixes com hábitos essencialmente piscívoros, isto é, alimentam-se de outros peixes. Seu recorde mundial de captura é de 23.300 kg, fisgado em 27 de setembro de 1984 pelo pescador argentino Armando Giudice, no Rio Paraná, Argentina.
O Dourado é considerado o maior peixe de escamas da Bacia do Prata. Por sua enorme esportividade e agressividade são idolatrados por pescadores de todo o mundo. É conhecido nos Estados Unidos e no Japão como “Golden Fish”. Na Inglaterra como “Dorado”. Na Argentina recebe o nome de “El Tigre”. E no Brasil é o “Rei do Rio”.
É muito procurado pelos pescadores esportivos, por sua beleza e esportividade incomum, o Dourado quando fisgado pula e briga com muita força, mostrando toda sua majestade.
Uma fêmea de Dourado na reprodução, chega a produzir até três milhões de óvulos, esta grande quantidade é estratégica, e garante a preservação da espécie, pois o Dourado não cuida dos filhotes.
Com a desculpa do progresso, a construção de barragens, e a drenagem de lagoas marginais, para fins agrícolas e pecuários, o homem, que é seu maior predador, inviabilizou o processo reprodutivo da espécie.
Por ser um peixe de piracema, o Dourado possui necessidades migratórias entre 500 e 1500 km de subida de águas rápidas, ou corredeiras, nadando entre 20 e 30 km por dia pra preparar seus órgãos sexuais para a desova. E depois do ato, a mesma quantidade para fazer o percurso de volta, completando assim o ciclo da vida.
Com a construção da hidrelétrica de Igarapava, desapareceu o último trecho de corredeiras do Rio Grande, lugares mágicos, de beleza ímpar morreram. Outros surgiram, é verdade, mas sem as corredeiras, os reis do rio também desapareceram.
Corredeiras como “Mata Doutor” e “Boca Feia” eram moradas dos grandes dourados, que ali viviam protegidos, pois pouquíssimos pescadores se aventuravam nestas águas perigosas e traiçoeiras. Ali eles reinavam absolutos.
Grandes pescadores de dourados se foram, já não estão mais entre nós. Por influência direta do homem, as corredeiras e os grandes dourados certamente desaparecerão do nosso querido Rio Grande, mas não desaparecerão jamais, dos nossos sonhos, das nossas mentes e dos nossos corações.
A única saída que temos é a preservação, mas isso parece utopia, ou sandice, pois países tradicionalmente atrasados, com regimes tribais, e governos autoritários, que não respeitam os direitos dos cidadãos, já não permitem a pesca profissional e comercial em suas águas interiores. Infelizmente só o Brasil e o Paraguai ainda permitem esta matança absurda. O Paraguai ainda tem a desculpa de não ser banhado por mar. Mas e o Brasil, qual é a desculpa que nossos legisladores encontram para não proibir este crime infame?
Será que leis são elaboradas por pessoas incapacitadas?
Será que os infratores nunca serão penalizados? Talvez para os responsáveis, é melhor deixar tudo como está, do que ter de dedicar um pouquinho do seu tempo para mudar leis antiquadas. Redes quilométricas, pesca com tarrafa, arpão, fisga, pesca predatória!
Será que isso nunca vai acabar?
Até quando as pessoas de bem e os pescadores esportivos irão tolerar esta situação?
Os deputados e senadores, participantes “ilustres”, do nosso poder legislativo, que ganham verdadeiras fortunas, e pouco produzem por omissão e descaso, preferem fingir que está tudo bem, ou desconhecem a verdadeira situação dos nossos pescadores profissionais, que hoje mal conseguem viver do pescado, e insistem em matar o resto dos peixes das nossas represas e rios, quando deveriam formar cooperativas com tanques redes, em lugares previamente indicados e fiscalizados pelo IBAMA. Com a criação em tanques redes, temos capacidade de produzir pescado de qualidade para nosso próprio consumo e ainda abastecer com sobras o resto do mundo.
A proibição da pesca comercial, e profissional em nossas águas interiores traria enorme benefício para todos.
Os estoques aumentariam muito. Isto iria alavancar o turismo e a infra-estrutura da pesca, todos sairiam ganhando, mais pousadas, mais equipamentos, mais turismo, mais empregos, mais impostos, mais renda, mais oportunidades, mais dignidade e principalmente mais preservação, sem matanças absurdas.
