Guido Bilharinho

O Andarilho - a existência itinerante



O Andarilho - a existência itinerante

O andarilho tem, na literatura brasileira, precedente ilustre na figura de Rubião, de Quincas Borba (1891), romance de Machado de Assis, e no filme homônimo, de 1986, do cineasta Roberto Santos, nele baseado.


Conexões Nacionais e Internacionais de Personalidades Uberabenses



Mário Palmério
A localização estratégico-geográfica de Uberaba, posicionada, conforme Bustamante Lourenço, na “intersecção entre dois sistemas dendríticos”, o que partia de São Paulo e o que partia do Rio de Ja-neiro via São João Del Rei, sendo “intermediária entre duas cidades primazes  Rio de Janeiro e São Paulo  e três regiões - Triângulo, Goiás e Mato Grosso”, tornou-a “centro regional do Império”, no dizer do citado historiador1, transformando-a, segundo Marquez de Resende, “em pólo econômico importante para as transações comerciais do Triângulo Mineiro, Goiás e Mato Grosso”, que se abasteciam “em Uberaba e aí vendiam seus produtos de origem”2.

Frei Eugênio



Frei EugênioFrei Eugênio Maria de Gênova, conforme Antônio Borges Sampaio (Uberaba: História, Fatos e Homens), nasceu na cidade de Oneglia, Província de Gênova em 4 de novembro de 1812, sendo batizado com o nome de João Batista José Maberino. Tomou ordens sacras em1836. Em 1842 foi nomeado pregador apostólico para o mundo inteiro. Nessa condição, por determinação do Papa Gregório XVI, chegou ao Rio de Janeiro em 19 de julho de 1843 como missionário capuchino.

Major Eustáquio



Praça Rui Barbosa

Entre o Rio Grande e o Rio das Velhas na província de Minas Gerais Comarca do Paracatu do Príncipe, Julgado do Desemboque, Prelazia de Goiás", segundo Vigário Silva (História Topográfica da Freguesia de Uberaba  Vulgo Farinha Podre), "está a povoação de Sto. Antônio e São Sebastião do Uberaba. Os lugares, que ela compreende, eram incultos e desertos até 1807, e apenas conhecida a estrada, que atravessa de S. Paulo para Goiás, onde residiam alguns índios".

Por essa época diversos moradores do Desemboque vieram à região e, quando voltaram, a descreveram ao Sargento-Mor ou Major (postos que se equivaliam) Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, que se interessou em explorá-la. Por força disso, seu irmão, Coronel José Manuel da Silva e Oliveira, indo tomar posse do Governo do Pará, passando por Goiás, a que pertencia o Julgado do Desemboque, comunica o fato ao Marquês de São João da Palma, que então governava aquela província, o qual nomeou Major Eustáquio Comandante regente dos Sertões da Farinha Podre, em 27 de outubro de 1809.
Nesses entrementes, narra Hildebrando Pontes (Vida, Casos e Perfis), diversas pessoas saídas do Desemboque estabelecem-se à margem esquerda do alto ribeirão do Lajeado, afluente da margem esquerda do Rio Uberaba, constituindo pequena povoação fundada pelo sertanista José Francisco de Azevedo, que chegou a ter vinte casas e pequena capela, denominada "Arraial da Farinha Podre" ou "da Capelinha", tendo como oragos (padroeiros) Santo Antônio e São Sebastião.

Em julho de 1810, segundo Vigário Silva, Major Eustáquio forma uma bandeira de trinta homens encaminhando-se a oeste cerca de trinta léguas, onde, com seus acompanhantes, lança algumas posses e faz pequenas roças. Em 1812, ao proceder segunda entrada, verificando não ter o Arraial da Capelinha possibilidades de desenvolvimento, avança mais a oeste, edificando à margem esquerda do córrego das Lajes casa de morada, aproximadamente à um quilômetro de sua foz, localizada na atual Univerdecidade, onde anteriormente existiam, sucessivamente, o Instituto Zootécnico de Uberaba, o Aprendizado Borges Sampaio, a Fazenda Experimental Getúlio Vargas ou "Fazenda Modelo" e a Embrapa. Dois quilômetros acima, na esquina da atual Praça Rui Barbosa com Rua Artur Machado, onde hoje é o Hotel Chaves e foi por décadas a loja Notre Dame de Paris, constrói "retiro" para suas criações e instala tenda de ferreiro a cargo de seu escravo Manuel.

A  partir daí, a seu convite, demonstrando seu intuito de fundar uma povoação, os moradores do Arraial da Capelinha vão pouco a pouco transferindo-se para junto do retiro, criando a primeira rua de Uberaba, a Rua Grande, atuais Vigário Silva e Manuel Borges.

Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira nasceu em Ouro Preto/MG, em 1770, vindo a falecer em Uberaba, em 6 de fevereiro de 1832. Em cerimônia celebrada pelo Vigário Silva, casou-se com Antônia Angélica de Jesus, com quem teve filhos, deixando, porém, três filhos naturais (Valeriano, Francisca Maria e Sebastiana Maria).

A teor do relato feito a Hildebrando Pontes pelo Capitão Manuel Prata (Manuel Joaquim da Silva Prata), falecido em 1905 aos 97 anos de idade e que conviveu com o major treze anos, este "era de estatura mediana, cabelos louros, olhos azuis, voz quase rouca [...] trajava calções de veludo, meias compridas, sapatos de fivelas de ouro e prata, casaco à Luís XV, capa, espada e chapéu armado", apresentando-se por vezes "fardado com a banda e dragonas", usava a barba feita e gostava de caçadas. Conforme Hildebrando, Major Eustáquio, que só cursara a escola primária, "não era um espírito culto segundo se depreende do pouco que deixou escrito".

No entanto, até seu falecimento no uso de suas prerrogativas funcionais," administrou eficazmente Uberaba, constituindo-se no que se poderia considerar de facto seu primeiro prefeito", como se entende hoje essa função.

Entre suas inúmeras iniciativas e realizações, destacam-se  algumas de fundamental importância para consolidação e desenvolvimento do povoado e posterior arraial. Entre elas, segundo Hildebrando Pontes, a criação, em 13 de fevereiro de 1811, do Distrito dos Índios, com sua nomeação a "Curador dos Índios" do distrito. No entanto, Vigário Silva em sua obra não se refere a esse acontecimento, informando que nessa data o Major e outros obtiveram, da Mesa da Consciência e Ordem, provisão para erigirem uma capela com o orago da Senhora do Monte do Carmo, até meados da década de 1820 não construída. A elevação do arraial à freguesia,em 2 de março de 1820, deveu-se a requerimento do Major Eustáquio.

Em janeiro de 1823, o Major e Vigário Silva instalam em sociedade o Porto da Ponte Alta, visto estar o Porto da Espinha, estabelecido pelo Anhanguera mais abaixo à época em que abriu a estrada para Goiás superando tanto pela tortuosidade da estrada quanto pela incidência de maleita.

Além disso, devidamente autorizado por Carta Régia de 1820, abre estrada no distrito e presta assistência aos índios da região, levando-lhes, segundo Hildebrando, "a roupa, a ferramenta e a paz", informando ainda Vigário Silva que esses índios (caiapós) não cometiam, à época, "a menor hostilidade, o que se deve sem dúvida ao jeito e ao amor com que têm sido sempre tratados pelo Sargento-Mor Antônio Eustáquio da Silva, que os visita todos os anos, prodigalizando-lhes roupas e ferramentas, ora a sua custa, ora a custa da Fazenda Pública".

O Major Eustáquio também estabeleceu a navegação fluvial do Rio Moji-Guaçu até o Rio Grande, conseguindo, ainda, isenção do pagamento dos impostos por dez anos e todos que se instalassem nas margens da estrada aberta entre o novo porto e a povoação, o que foi deferido em 7 de janeiro de 1826. Cuidava o Major do policiamento da região, conforme relatou a Hildebrando Pontes o Capitão Manuel Prata, reprimindo a ação dos inúmeros criminosos foragidos das Gerais e que procuravam refúgio na região, obrigando-os "a trabalhar na construção de muros, casas de taipa e outros serviços em roças".

Toda essa atividade levou Vigário Silva a registrar, ao encerrar seu ensaio histórico:
"Estando a Freguesia do Uberaba em circunstâncias de poder pela natureza do seu fértil solo interessar muito ao Império e aos particulares nela residentes e que vierem depois, deve-se tudo em grande parte ao Sargento-Mor Antônio Eustáquio da Silva, que não se tem poupado, nem a despesas, nem a fadigas, nem a persuasões para aumentar a sua povoação, pôr em atividade o seu comércio e animar a agricultura".


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